Billy Saga faz show em São Paulo e une o rap com luta pelas minorias

Após ficar paraplégico, rapper abraçou a missão de militar pelos deficientes 

Dudu Contreras/Divulgação

O rapper Billy Saga se apresenta nesta quinta-feira (7) e promete agitar o público com as músicas de seu último CD, As Ruas Tão Olhando. Em conversa ao R7, Saga adianta o que os fãs podem esperar do show.

— Dá pra dizer que é o lançamento oficial do disco no Brasil. No ano passado, lancei o disco fisicamente fora do país, fiz shows em Londres, Newcastle e Bristol, e também nas plataformas digitais. Voltei pro Brasil, trabalhei em alguns singles e agora vou ter a oportunidade de apresentar as músicas desse disco. E o disco físico chega mês que vem no Brasil.

Além de cantar os sucessos do novo trabalho, o rapper convidou alguns amigos para participar da apresentação.

— Eu chamei o DJ Latife, a minha esposa Ju Caldas, que é backing vocal, e o Tupã, que faz várias rimas comigo. Também tem o percussionista Leo Vituliti e dois MCs, Fábio Braga e Sombra. 

Saga lista ainda as músicas mais pedidas pelos fãs quando ele sobe ao palco.

Emoriô é uma, Derruba um Rei também está entre as preferidas. E Pavio Aceso, por ser uma das minhas composições que falam do empoderamento das pessoas com deficiência também atrai um público específico.

Por falar nisso, o cantor dá detalhes da missão que abraçou há quase 20 anos, quando foi atropelado por uma viatura da Polícia Militar, que passou no semáforo vermelho. Por conta do acidente, ele ficou paraplégico após fraturar a coluna em três lugares. Desde então, ele decidiu focar em letras de músicas em forma de luta pelos direitos das minoria. Atualmente, ele também é o presidente da ONG Movimento Superação, que milita pela inclusão das pessoas com deficiência. 

Gui Simi/Divulgação

— Se tornou minha realidade. Até então, eu não conhecia nenhuma pessoa com deficiência. Quando me tornei cadeirante, vi o quanto essa parcela da sociedade é segregada e quanto era negligenciado o direito dessas pessoas. Então, minha arte começou a permear esse tema.

Com o passar dos anos, Saga notou que sua luta era maior. O rapper explica que defende direitos não só das pessoas com deficiência, mas de várias minorias, como as mulheres, os negro, e a comunidade LGBT. Ele ressalta que sua luta é por uma causa, por uma sociedade mais justa e humanizada.

Trabalho e família

Além do trabalho com a música, Saga é funcionário de uma rede de supermercados, onde atua como coordenador de diversidade e inclusão. Ele também é pai de Emília, de um ano e sete meses. Para dar conta de tudo, o rapper brinca e diz que o dia deveria ter 36 horas.

— A maior parte de todo meu tempo é dedicado a ela. Quando eu chego tarde e ela está dormindo, sinto que o tempo foi jogado fora por não ter conseguido vê-la. Mas quando é missão, a gente tem de dar um jeito, tirar energia, ânimo, recurso emocional, espiritual, energético, financeiro...  minha música é meu sonho, missa missão como militante também. O jeito é saber equalizar o que prioridade a cada dia. 

Pai coruja, Saga fala da relação da herdeira com a música.

— Sou suspeito pra falar, mas minha mulher é professora de música infantil, então ela ouve música desde que está na barriga. Hoje, todas as músicas que a gente canta, ela canta também. Eu não pressiono, se ela quiser ser cantora, será. Se quiser ser lixeira, médica... também vou apoiar. Mas se ela não for da música profissional, com certeza vai gostar de música. 

Serviço

MC Billy Saga
Quando: 7 de setembro
Horário: 20h
Local: Itaú Cultural (Avenida Paulista, 149, Estação Brigadeiro do Metrô)
Ingressos: Para público preferencial: duas horas antes do espetáculo (com direito a um acompanhante). Para público não preferencial: uma hora antes do espetáculo (um ingresso por pessoa)
Classificação: 12 anos
Mais informações: (11) 2168-1776/1777