Se a Pabllo não engravida, por que ela usa camisinha?, perguntam comentaristas em clipe da cantora

Manifestação foi feita em vídeo que promove uso de preservativos

Pabllo em clipe feito em parceria com o Ministério da Saúde
Pabllo em clipe feito em parceria com o Ministério da Saúde Divulgação

O novo clipe de Pabllo Vittar com Matheus Carrilho, Corpo Sensual, promove o uso de preservativos. O vídeo foi feito em parceria com o Ministério da Saúde e estreou na última quarta-feira (6). Apesar do pouco tempo de lançamento, o projeto tem causado polêmica.

No campo de comentários do YouTube, diversas pessoas questionaram o motivo da cantora drag queen usar camisinha, já que ela não tem útero e não pode engravidar.

As manifestações ignoram completamente que o método não é aplicado apenas como contracpeção, mas também para prevenir o contágio de doenças sexualmente transmissíveis.

O posicionamento dos comentaristas confirma os alarmantes dados divulgados pelo último boletim epidemológico publicado pelo Governo Federal. No levantamento, é informado que na faixa etária entre 20 e 24 anos, a taxa de detecção de HIV subiu de 16,2 casos por 100 mil habitantes, em 2005, para 33,1 casos em 2015.

A incidência de outras doenças sexualmente transmissíveis também aumentou, já que o fator em comum entre elas continua o mesmo: a falta de camisinha nas relações sexuais. O preservativo é usada em apenas 40% das relações sexuais.

Comentários sobre a campanha no YouTube
Comentários sobre a campanha no YouTube Divulgação

O contador Gilberto Pereira, soropositivo, relata que a campanha está trazendo à tona preconceitos de todos os lados, inclusive dentro da comunidade LGBT.

— Quem diz que Pabllo não engravida, faz vistas grossas às DSTs e principalmente ao sexo anal, que também ocorre entre héteros, e é um fator que aumenta o risco de contrair HIV. Eu sou gay soropositivo e tenho muito a lamentar sobre toda a hipocrisia e preconceito que envolve esse caso.

O Ministério da saúde afirma ainda que, no caso da Aids, a infecção cresce entre os homens em todas as faixas etárias. De 827 mil infectados no Brasil, 112 mil pessoas sequer sabem que têm o vírus.

E o estudo vai além: entre os anos de 2014 e 2015, a sífilis adquirida teve um aumento de 32,7%, a sífilis em gestantes 20,9% e congênita, de 19%. Em 2015, o número total de casos notificados de sífilis adquirida no Brasil foi de 65.878. No mesmo período, a taxa de detecção foi de 42,7 casos por 100 mil habitantes e a maioria são em homens, 136.835 (60,1%). No período de 2010 a junho de 2016, foi registrado um total de 227.663 casos de sífilis adquirida.

No entanto, o médico infectologista Antoni Carlos Bandeira, acredita que as campanhas que alertam sobre os perigos das DSTs não se aprofundam na abordagem do tema e repetem o mesmo conceito desde o início.

— No geral, as pessoas sabem que transar sem proteção pode não só gerar uma gravidez indesejada, como também aumentar o risco de transmissão de DSTs. O que essas peças publicitárias não discutem são as variáveis que fazem as pessoas não usar camisinhas. O consumo de alcool e drogas, por exemplo, interfere diretamente no esquecimento da proteção. Também existem casos em que a pessoa mais frágil da relação desiste de tentar convencer o parceiro a usar e se expõe. São várias particularidades que existem. Usar um cantor da moda para dizer que é preciso usar camisinha pode ser ótimo, mas não garante resultados positivos no combate às DSTs —, garante o médio, que também é professor da Faculdade de Tecnologia e Ciências de Salvador.