Soninha Francine revela namoro com ex-morador de rua

Vereadora e ex-VJ da MTV falou ao site do jornal O Estado de S. Paulo

Soninha Francine
Soninha Francine Reprodução/Instagram

Há três, quatro anos, Soninha Francine guardava um segredo. Um segredo que foi revelado agora ao jornalista Morris Kachani, do site do jornal O Estado de S. Paulo, no sábado (17). A vereadora (PPS) e ex-VJ da MTV assumiu publicamente seu relacionamento com Paulo Sergio Rodrigues Martins, de 41 anos, ex-morador de rua. De acordo com a publicação, os dois se conheceram em uma ação social organizada pela própria vereadora e dois amigos dela.

Paulo Sergio vivia na praça Marechal Deodoro, região central de São Paulo. O primeiro beijo, aliás, aconteceu debaixo do Minhocão. Sonia contou que todo esse tempo, viveu altos e baixos, tendo de enfrentar os problemas de alcoolismo do parceiro e a não aceitação de sua família sobre o romance.

No início da entrevista, Soninha apresentou o parceiro.

— Ele é o Paulo Sergio, meu companheiro. Eu conheci o Paulo faz uns quatro anos, gostei dele no dia que o conheci, e ele foi bem antipático comigo, foi bem refratário ao contato.

Ela conta como conheceu Paulo.

— Eu participava de um trabalho social com população de rua, e o método e o objetivo era fazer amizade. Então a gente saía pela rua puxando assunto, puxando conversa, fazendo amizade. Não tínhamos essa meta original de tirar as pessoas da rua, das drogas, de reaproximá-las da família. Isso podia surgir, mas era primordialmente uma relação de amizade. O amigo tá ali pra falar, ouvir, fazer companhia. E aí algumas amizades nasciam fácil, no primeiro contato a gente já ficava bem próximo, tinha uma empatia fácil. Mas quando eu conheci o Paulo, ele não queria conversa, nada, nem um pouco. Me olhou feio, feio!

Paulo viveu na rua por 20 anos. Questionada sobre o aspecto dele, Soninha foi direta.

— Tava péssimo! Cara, e aí eu pensei: “Vou derreter essa carapaça“. Quanto o encontrei, ele estava imundo. Em estado lamentável, com a barba toda emaranhada. Era o protótipo do morador de rua. Ele estava ostensivamente largado.

"Ainda assim, você se apaixonou?", questinou o repórter.

— No primeiro dia, nem ele se conforma.

E seguiu contando como foi o primeiro contato entre eles.

— Ah sim, eu me apaixonei por ele, do jeitinho que ele tava. Não é que eu bati o olho e me apaixonei, mas ele mexeu comigo. Me tratou mal daquele jeito, e eu pensei: “Ah beleza, tá tudo bem, não quer conversar“. A gente lidava com isso o tempo todo quando chegávamos pra conversar com alguém. Tem horas que o cara não quer conversa. Isso fazia parte da nossa ação.

A vereadora disse que de início, Paulo não dava a mínima confiaça para ela. Mas que, num determinado dia, ele deu uma brecha ao recitar um poema escrito pela própria irmã.

— ... aí ele recitou um poema, e falou que foi sua irmã que o havia escrito. Era um poema sobre a saudade. Foi a primeira brecha que ele deu. Fiquei muito tocada por ele, muito mexida. Aí eu tive que admitir pra mim mesma que eu tava ficando a fim do cara, né? Aquela coisa.

Soninha também respondeu foi como e onde foi o primeiro beijo do casal.

— É… Ah gente, ele morava na rua, eu encontrava ele na rua. Nosso primeiro beijo romântico foi debaixo do Minhocão [risos]. E é isso, tô com ele há três, quatro anos. Com poucos altos, muitos baixos. Muito, muito problema, muita dificuldade, muita, muita, muita, muita. Ah, dificuldade de alcoolismo, né? É muito difícil. E não é só a dependência física, mas a sua vida social todinha gira em torno de uma garrafa de pinga, entendeu? Todos os seus relacionamentos, toda sua rotina, toda manhã, tarde, noite. Você mudar o relacionamento é muito difícil.

Sonia falou que levou um tempo para que ela levasse Paulo para sua casa.

— Hesitei muito. Era um cara super impulsivo, de emoções extremadas. Na rua a gente já tinha desentendimentos. Mas a gente tinha que namorar em algum lugar. E criei coragem.

Em outro trecho da conversa, a vereadora também revelou que no início as brigas eram rotineiras.

— Teve um tempo em ele que ficava de castigo, dormia no carro. É difícil brigar com alguém que não tem endereço. Mas agora dá pra dizer que a gente está junto, porque agora ele parou de beber. Foram muitos anos de pinga. Da hora que acordava até a hora que dormia.

A ex-VJ ainda falou como sua família reagiu ao romance. 

— Eu passei a saber como é você ser lésbica, por exemplo, e a sua família não aceitar a sua homossexualidade de jeito nenhum. Era assim que eu me sentia. Eu tenho um relacionamento, mas eu não posso levar meu cônjuge na reunião da família. A família não aceita, ela abominou, me esconjurou. E ele não fazia nada para facilitar. Foi muito difícil com minha mãe, quase tudo foi difícil com ela.

A situação hoje, disse Soninha, é melhor.

— Faz quatro meses que ele parou de beber, então isso muda tudo, completamente. Eu estava por um triz de não aguentar mais.