Blocos ganham força pelos bairros de SP

Tendência para 2015 é que a folia se espalhe por toda a cidade, principalmente nas periferias

Um dos blocos mais antigos de SP, Os Esfarrapados, fundado em 1947 por Walter Taverna, lotou as ruas do bairro do Bixiga
Um dos blocos mais antigos de SP, Os Esfarrapados, fundado em 1947 por Walter Taverna, lotou as ruas do bairro do Bixiga Hélvio Romero/03.03.2014/Estadão Conteúdo

Os blocos ganharam como atração popular de carnaval deste ano em São Paulo, concentrando-se na zona oeste e no centro — de onde saíram na segunda-feira (4) os Esfarrapados, grupo que surgiu em 1947 e é um dos mais tradicionais. Só que a tendência para 2015 é que a folia se espalhe por toda a cidade, principalmente nas periferias, conforme especialistas ouvidos pelo Estado.

Em 2014, foram tímidas as iniciativas fora do centro expandido. Algumas até já são tradicionais, como a 6.ª edição do carnaval de rua de Parelheiros, na zona sul, que tem organização da SPTuris e deve sair hoje pelas ruas do bairro.

Alternativa às fantasias caras e à necessidade de ensaios periódicos das escolas, os blocos tendem a surgir onde faltam opções de lazer, como afirma Alberto Ikeda, professor de Etnomusicologia e Cultura Popular do Instituto de Artes da Unesp (Universidade Estadual Paulista).

— Na medida em que essa onda prolifera nas regiões de classe média e alta, tenderá a crescer para bairros periféricos, o que vem ao encontro do debate dos ‘rolezinhos’, criados por jovens e adolescentes que moram na periferia.

Desfiles da 3ª divisão em SP ocorrem sem incidentes

Só cinco escolas de SP terão ‘barracão de luxo’ em 2015

Convidar amigos pelas redes sociais, marcar locais de encontro e combinar as roupas não é típico apenas dos "rolezinhos". Essas também são características dos blocos, como explica Zélia Lopes da Silva, professora do departamento de História do câmpus de Assis da Unesp.

— Com os meios eletrônicos de comunicação, a tendência é que os blocos se expandam. O carnaval está recuperando a sua espontaneidade, o que permite que mais grupos apareçam de formas diferentes.

Já a historiadora Maria Apparecida Urbano, autora do livro Carnaval e Samba em Evolução na Cidade de São Paulo, acredita que os blocos vão, com o tempo, se juntar, como já ocorreu no Recife e em Salvador, onde há vias reservadas para todos os blocos.

— Eles devem se juntar para ter mais força e mais público. Neste ano saiu muito bloco pipocado pela cidade de São Paulo. É muito interessante que tenha bloco no bairro, mas mesmo nesses locais acho que os grupos vão se unir para ter mais componentes.

Folia

Neste ano, a prefeitura cadastrou os blocos de rua para viabilizar a infraestrutura no entorno das festas. Segundo o Município, 172 blocos se inscreveram. A folia, no entanto, ainda não terminou. Mais 23 blocos devem sair na cidade nos próximos dias.