Rio de Janeiro Salgueiro, Viradouro e Tijuca são destaques na primeira noite do RJ

Salgueiro, Viradouro e Tijuca são destaques na primeira noite do RJ

Irreverência foi marca nos desfiles de Grande Rio e Imperatriz. Beija-Flor contou a própria história em homenagem aos 70 anos da escola

primeira noite de Sapucaí

Alegoria do Salgueiro era um cágado caminhando pela avenida

Alegoria do Salgueiro era um cágado caminhando pela avenida

FÁBIO MOTTA/ESTADÃO CONTEÚDO

A primeira noite de desfiles do Grupo Especial carioca neste domingo (3) foi marcada pelo samba arrasador do Salgueiro, que levantou as arquibancadas, e pelo luxo e crítica social da Unidos da Tijuca. A escola do Borel, apontada como uma das favoritas ainda no pré-Carnaval, segurou boa parte do público na Sapucaí e não decepcionou quem ficou para assistir o desfile bíblico sobre o pão.

Reencontrando o Grupo Especial, a Viradouro foi outro ponto alto da noite. As alegorias vivas e os truques já característicos do carnavalesco Paulo Barros encantaram o público com o mundo mágico dos contos infantis. Com um desfile rico, a escola voltou à elite preparada para brigar no topo do ranking. 

A Beija-Flor de Nilópolis revisitou a própria história para homenagear os 70 anos da agremiação. A apresentação correta e luxuosa agradou, embora não tenha provocado o mesmo impacto que os outros três citados. 

A Imperatriz fez um desfile leve para contar a história do dinheiro. O bom humor foi uma característica da apresentação, embora houve dificuldades com algumas alegorias, o que deve atrapalhar a agremiação na apuração. A irreverência também esteve presente na Grande Rio, que cantou o jeitinho brasileiro. O público da Sapucaí, no entanto, parece não ter esquecido que a escola não foi rebaixada no Carnaval 2018 após um acordo dos dirigentes na Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro. Na entrada da avenida, algumas pessoas chegaram a vaiar e gritar a palavra "Acesso" com forma de protesto. 

Se houve quem esbanjasse, a Império Serrano, que abriu a noite, deixou evidente suas limitações financeiras na construção do Carnaval. A escola falou sobre a vida e cantou o samba de Gonzaguinha O que é, o que é. Veja como foram as apresentações das sete escolas. 

Império Serrano

Alegoria da Império Serrano representa um jogo de xadrez

Alegoria da Império Serrano representa um jogo de xadrez

FÁBIO MOTTA/ESTADÃO

Inspirada pelos versos de Gonzaguinha em O Que É, O Que É?, a escola brincou sobre as várias formas de encarar a vida. A chuva não deu trégua para o Império Serrano na avenida, que enfrentou a pista molhada o tempo todo. O desfile começou com os integrantes da comissão de frente vestidos de mendigos, em tom dramático e interagindo com o público, como se fossem mendigos. O casal de mestre-sala e porta-bandeira desfilou no alto de um tablado. Os setores mostraram a vida através das religiões, a forma como cada um encara a vida, os questionamentos do homem e os desejos das pessoas. A escola enfrentou muita dificuldade para construir suas alegorias e enfrentou a avenida com problemas de acabamento e iluminação evidentes. Apesar disso, os componentes não economizaram na animação.

Viradouro

Fênix da Viradouro veio carregando o pavilhão da escola

Fênix da Viradouro veio carregando o pavilhão da escola

Fernando Grilli / Riotur

Não faltou magia no desfile da escola. Além dos truques e alegorias vivas tradicionais do carnavalesco Paulo Barros, a escola abusou do luxo para desvendar o universo mágico dos livros infantis. Na comissão de frente, a história começava a partir do momento em que o neto abria um livro mágico e transformava a avó em bruxa. O elenco, escondido em efeitos de fumaça, passava de príncipes para sapos. As alegorias e alas tinham vários personagens dos contos de fadas, de fácil leitura para o público. No último carro, uma grande fênix marcava a volta da escola para o Grupo Especial.

Grande Rio

Comissão de frente da Grande Rio trouxe emojis que voavam pela Sapucaí

Comissão de frente da Grande Rio trouxe emojis que voavam pela Sapucaí

Celso Pupo /Fotoarena/Folhapress

A escola apostou na irreverência para falar do jeitinho brasileiro. O principal destaque foi a comissão de frente, formada por bailarinos usando máscaras de emojis, que voavam durante o desfile. A escola falou sobre a falta de educação no trânsito, os comportamentos inadequados nas redes sociais e o desrespeito ao meio ambiente.  Outro destaque foi o que falou sobre o lixo no fundo do mar, construído com materiais que normalmente vão parar no fundo do oceano.

Salgueiro

Voltando a fazer um enredo afro, a escola cantou em homenagem a Xangô. O ponto alto ficou por conta do samba, de refrões fortes, que foi reverenciado na avenida e nas arquibancadas da Sapucaí. O desfile também marcou a estreia de Emerson Dias como intérprete da agremiação ao lado de Quinho, que também voltou a cantar no Salgueiro. O desfile falou sobre a mitologia do orixá, o sincretismo religioso e a justiça, símbolo de Xangô. A escola ainda reverenciou sua própria história e a relação com o santo em outros carnavais.

Beija-flor

Claudia Raia foi destaque na segunda alegoria

Claudia Raia foi destaque na segunda alegoria

Daniel Pinheiro/AgNews

A escola revisitou seus 70 anos de história dividindo o desfile em fábulas narradas pelo Beija-Flor, símbolo da escola. Cada ala revisitou um carnaval marcante da agremiação: os enredos sobre locais, as homenagens a personalidades e as críticas sociais. Para isso, não faltou luxo e criatividade para a agremiação. O desfile fugiu do caminho mais óbvio para enredos de homenagens ao amarrar toda a história com fábulas. Destaque para o carro que relembrou o desfile de Ratos e Urubus, de 1989, um dos mais famosos da azul e branco. No lugar da imagem do Cristo Redentor, que foi censurado na época e saiu na avenida coberto por um plástico preto, a alegoria tinha um próprio Beija-Flor em farrapos com a frase “Mesmo proibido, olhai por nós”.

Imperatriz Leopoldinense

Para falar sobre o dinheiro, a escola apostou na irreverência. De forma divertida, mostrou a origem do dinheiro, contou a lenda do Rei Midas, fez chover cédulas e distribuiu celulares. Leões de bocas abertas representaram o imposto de renda. O personagem Robin Hood foi destaque na comissão de frente. Um tripé trouxe uma escultura do Professor Raimundo fazendo o gesto que ficou imortalizado: "E o salário oh".

Tijuca trouxe um lindo pavão, símbolo da escola, no carro abre-alas

Tijuca trouxe um lindo pavão, símbolo da escola, no carro abre-alas

FÁBIO MOTTA/ESTADÃO CONTEÚDO

Unidos da Tijuca

A escola fechou o primeiro dia de desfiles do Grupo Especial ao contar a história do pão. A Tijuca levantou o público que estava na Sapucaí com alegorias e alas que relembravam passagens da bíblia, como a representação da Santa Ceia no abre-alas. O grande navio negreiro do terceiro carro e a encenação sobre o sofrimento dos negros durante a escravidão foram um dos destaques. Os ritimistas, caracterizados como padeiros, fizeram os foliões cantarem alto o samba-enredo. A Tijuca também fez críticas aos maus políticos e às pessoas que ignoram os problemas sociais. Alguns componentes distribuíram pães para quem estava na avenida.