R7 Diversão Fabiana Cozza deixa musical, mas segue cantando Dona Ivone Lara

Fabiana Cozza deixa musical, mas segue cantando Dona Ivone Lara

Mesmo após a polêmica saída do espetáculo sobre a diva do samba, cantora faz shows em homenagem a compositora carioca: "É muito legítimo" 

Após polêmica, Fabiana Cozza continua cantado seu amor por Dona Ivone Lara

Fabiana Cozza faz espetáculo em homenagem a Dona Ivone Lara

Fabiana Cozza faz espetáculo em homenagem a Dona Ivone Lara

Edu Garcia/R7

Fabiana Cozza segue a vida após ficar no centro de uma recente discussão sobre ela ser “branca demais” para viver Dona Ivone Lara no teatro. Com dignidade e talento de sobra, Fabiana renunciou ao papel, sem deixar de lado o amor pela diva do samba.

Passada a tormenta, a cantora paulistana agora mantém o foco em diversos projetos de carreira, que incluem o DVD ao vivo em Cuba, shows em homenagem a Dona Ivone e pesquisas para o novo disco influenciado pela cultura africana.

Dia 29 de julho, Fabiana apresenta o espetáculo A Dama Dourada no Tupi or not Tupi, em São Paulo. É um show extra após uma primeira data esgotada. Depois, a cantora aterrissa no Rio de Janeiro, no Teatro Rival, no dia 2 de agosto. 

— Minha vida estava planejada e, de repente, tudo foi para o "espaço". Então, resolvi retomar o repertório de Dona Ivone, mesmo após toda a história sobre minha saída do musical. O show já estava pronto e, além disso, é muito legítimo eu poder levar isso para os palcos.

"Espero que eu possa ajudar na discussão em torno do racismo"
Fabiana Cozza comenta polêmica em musical de Dona Ivone
Fabiana prepara CD que "vai discutir a diáspora africana no mundo"

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Edu Garcia/R7

Nos shows, Fabiana revisita, em formato voz e violão, o rico universo da compositora carioca que morreu no 16 de abril de 2018. Ao lado do violonista Alessandro Penezzi, ela surpreende em versões acústicas de clássicos como Enredo do Meu Samba (veja abaixo).

— Dona Ivone tinha uma dignidade. Era uma mulher com uma "simplicidade sofisticada". E a riqueza dela estava justamente nessa simplicidade. Parece que estou falando algo antagônico, mas não é. A gente estuda muito para tentar ser simples e chegar ao essencial, mas ela já era naturalmente assim.

Fabiana também está empolgada com o lançamento do DVD ao vivo em Cuba, fruto do CD em homenagem ao astro cubano Bola de Nieve, Ay Amor! (2017).

— Este ano, me apresentei no festival Fiesta del Tambor com o pianista Pepe Cisneros (músico cubano radicado no Brasil desde 1994) e gravamos o material que ficará pronto em breve. Foi emocionante.

Para saber mais sobre a carreira e novidades, o R7 encontrou Fabiana Cozza durante um ensaio em São Paulo. Simpática, ela não só bateu papo com a reportagem como gravou um vídeo exclusivo. Veja os destaques.

Novo CD

— Estou ouvindo o repertório para o novo CD, que vai discutir um pouco da diáspora africana no mundo. Serão novos nomes brasileiros e estrangeiros de um universo de muitas etnias. E também vem da América Latina negra, pois isso faz parte do trabalho que comecei há uns três anos. O CD do Bola de Nieve (Ay Amor), mesmo não sendo da América do Sul, faz parte dessa história, que eu tenho mais intimidade. É um projeto que faço em parceria com os compositores Tiganá Santana e Leo Mendes (filho de Roberto Mendes). Será lançado em 2019.

Fabiana Cozza e Alessandro Penezzi fazem versões acústicas de Dona Ivone

Fabiana Cozza e Alessandro Penezzi fazem versões acústicas de Dona Ivone

Edu Garcia/R7

Sucesso em Cuba

— Fui muito bem-recebida em Cuba nas duas viagens que fizemos este ano, em março e junho. Foi ousado da minha parte me apresentar lá, pois fui cantar uma lenda em seu País natal. Quando cheguei lá, eu achava que o cantor estivesse mais presente no imaginário coletivo de pessoas mais velhas, porque faleceu na década de 70. Mas foi um engano. Fizemos um show no teatro do Museo Nacional de Bellas Artes, onde o cantor se apresentava, para uma plateia predominantemente jovem. Eles conheciam muito as músicas do compositor. E, além disso, a irmã dele, de 87 anos, foi nos assistir. Ela ficou muito emocionada e me disse que haviam momentos que parecia que o Bola estava no palco. Foi muito forte. As pessoas ficaram muito sensibilizadas não só com minha interpretação e repertório, como pelo show dirigido pelo Elias Andreato. Nos disseram que era uma honra ver uma artista brasileira fazendo Bola de Nieve com essa qualidade. Fomos convidados a voltar em outubro ou novembro.

Fabiana Cozza faz sucesso em Cuba cantando Bola de Nieve

Fabiana Cozza faz sucesso em Cuba cantando Bola de Nieve

Edu Garcia/R7

Amor por Dona Ivone

A Dama Dourada acabou virando uma grande surpresa, pois minha vida estava planejada e tudo foi para "o espaço". Então, resolvi retomar esse espetáculo de Dona Ivone agora, após toda a história sobre minha saída do musical. Primeiro, o show já estava pronto. E, segundo, porque é muito legítimo eu poder levar esse espetáculo para o palco. E tem uma assinatura muito pessoal, com dois solistas em cena. A gente conversa sobre o repertório da compositora. Colocamos um "holofote" na qualidade poética de Dona Ivone e Délcio Carvalho que, para mim, é o parceiro mais brilhante dela. É uma leitura absolutamente pessoal, sem deixar de lado o samba, que também faz parte do nosso universo. É muito emocionante.

Fabiana Cozza: talento amplificado pelo vozeirão

Fabiana Cozza: talento amplificado pelo vozeirão

Edu Garcia/R7

Racismo

— Então, já que isso "caiu no meu colo", espero que eu possa ajudar na discussão em torno do racismo. A contribuição que, talvez, eu possa ter dado, é propor, diante de tudo que aconteceu, que todos nós nos apoderamos dessa discussão sobre o racismo e a gente possa encacar isso de uma forma madura. Por exemplo, como a questão da representatividade, que foi o que reivindicaram na minha saída do musical. É um assunto importante, mas que isso se transforme em propostas, sem nos atacarmos. Que possamos conversar para construir um caminho para assegurar direitos e, quem sabe um dia, conquistar a tal equidade entre brancos e negros. Porque, é fato que a realidade que vivemos não favorece homens e mulheres negras. Porém, também a discussão por representatividade não pode ser pautada apenas pela cor da pele. Creio que eu fui um "disparador" até para que a mídia pudesse iluminar um pouco essa questão, fazendo parte do noticiário. Como eu vi a TV e internet mostrando pesquisadores negros, que nunca aparecem, se posicionando sobre a questão. Isso foi muito importante.

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