Avenida Paulista se transforma em polo de cultura e diversão

Cartão Postal de São Paulo respira diversidade e entretenimento 

Paulista se transformou em eixo cultural da cidade
Paulista se transformou em eixo cultural da cidade André Tambucci/Fotos Públicas

Durante a semana, a avenida Paulista é frenética. Pelas calçadas, o vai e vem de executivos, estudantes e pessoas de todos os cantos de São Paulo. O cartão postal da cidade também é o palco de manifestações. Ao mesmo tempo, é possível passear pelo jardim da Casa das Rosas, conferir as exposições no Masp e a programação dos novos centros culturais espalhados pelos 2, 7 km de extensão da avenida.

A inauguração da Japan House no primeiro semestre, do IMS (Instituto Moreira Salles) nesta semana, além da nova unidade do Sesc que deve abrir suas portas no primeiro trimestre de 2018, somados ao Masp, Casa das Rosas, Centro Cultural Fiesp, Conjunto Nacional e ao Reserva Cultural transformam a avenida Paulista em um dos principais eixos culturais da cidade.

O prédio do Sesc Paulista está sendo totalmente reformulado. Contará com 15 andares, três salas de espetáculos, áreas de exposição e convivência, sala de ginástica, e outras instalações. A ideia, segundo Miranda, é ter integração com a avenida.

“O Sesc Avenida Paulista será o espaço da arte, corpo e tecnologia, reconhecendo sempre a cultura como peça fundamental para o crescimento da cidade”, afirmou o diretor regional do Sesc, Danilo Santos de Miranda. Para o diretor de programação do IMS, Lorenzo Mammì, é um “privilégio de estar ligado a esse processo que está surgindo na cidade e vai se tornar cada vez mais intenso, que é a substituição da ocupação financeira pela cultural”.

Na quarta-feira (20), o Instituto Moreira Salles abriu suas portas ao público com a proposta de ser um espaço democrático. “A ideia é ser um instituto muito mais do que um museu, um lugar onde as pessoas possam usar todos os espaços. Da biblioteca às salas de exposição e os cursos. Do auditório ao café. A proposta é receber e acolher pessoas de todas as 'São Paulos' não apenas aquelas que já estão na região central”, explica Mammì.

O projeto arquitetônico do escritório Andrade Morettin Arquitetos é arrojado. A entrada é aberta, quase uma continuação da calçada. Escadas rolantes levam para a praça central, que foi construída com pedras brancas e pretas, como o calçadão antigo. O Balaio café do chef Rodrigo Oliveira, do restaurante Mocotó, e a Livraria Travessa transformam o espaço em um ponto de encontro aconchegante, de onde é possível para o público se deslocar e passear pelo edifício de nove andares.

No balcão, atendendo clientes e servindo café, o chef Rodrigo Oliveira disse que o Balaio não é um restaurante de comida regional. “Nossa ideia é reforçar aspectos da cultura brasileira e temos um objetivo pretencioso, de ser uma atração à parte do IMS.”

A fachada de vidros permite a aproximação com quem passa pela avenida. “Esse vidro é especial importado oferece transparência e ao mesmo tempo garante uma certa concentração e privacidade, mas não veda a visão de quem está na rua. É possível ver as “sombras” passando. À noite, com a iluminação, se transforma em uma grande lanterna chinesa”, conta Mammì. 

Com projeto assinado pelo arquiteto japonês Kengo Kuma com o escritório paulistano FGMF contrapõem madeira e bambus ao concreto da Paulista. A programação é eclética e se propõe a trazer um pouco do Japão para o Brasil. Atualmente está em cartaz a exposição Espuma, de Kohei Nawa, uma brincadeira sensorial que pode ser vista até o dia 12 de novembro. 

Em comum, todos têm o desafio de dialogar com o eclético público que passa pela avenida. No IMS, é possível acompanhar as exposições de fotografia, mas também aos domingos conferir apresentação de chorinho ou rodas de samba. 

O Itaú Cultural abre na quarta-feira (27) a Ocupação Inezita Barroso, que reverencia o trabalho de uma das maiores expressões artísticas da música caipira no Brasil. A mostra traz raridades e diversos registros em áudio, vídeo, gravações de programas de televisão, fotos pessoais, de shows e de viagens, recortes de jornais, bilhetes, presentes, prêmios e conversas caseiras registradas em seu gravador.

Já o Centro Cultural Fiesp, um espaço bem conhecido do público — o teatro está aberto há 54 anos. “As pessoas já estão acostumadas a vir aqui. Algumas pessoas assistem as peças todos os dias. Aos domingos, temos uma variedade muito grande de pessoas que circulam pelo prédio, de famílias com crianças a idosos”, afirma Débora Viana, gerente de atividades culturais do Sesi-SP
Aos domingos a música toma conta das calçadas.

“Com a Paulista fechada aos carros, temos o palco aberto onde intercalamos artistas conhecidos e novo talentos”, diz Débora. O Centro Cultural, que foi recentemente reformado, oferece, além do teatro, salas de exposição, um café e a vista para um jardim projetado por Burle Marx.

“Tem esse fenômeno novo e maravilhoso que é a Paulista fechada aos carros aos domingos. Isso virou uma praia dos paulistas como diriam os cariocas. Um movimento incrível e absurdamente vivo na cidade”, diz Mammì.