Cinema Filho de Edmundo nega que filme seja indireta para o pai

Filho de Edmundo nega que filme seja indireta para o pai

Alexandre Mortagua produziu longa sobre crianças que cresceram sem o pai. "Se ele for assistir ao filme e procurar algo falando sobre ele, não vai ter"

Alexandre Mortagua

Filho de Edmundo lança filme sobre abandono dos pais

Filho de Edmundo lança filme sobre abandono dos pais

Edu Garcia/R7

Um dado de 2013 do Conselho Nacional de Justiça que diz que 5,5 milhões de crianças não têm o reconhecimento paterno é o pano de fundo para o filme Todos nós 5 milhões, escrito e dirigido por Alexandre Mortagua.

Filho de Cristina Mortagua, modelo famosa nos anos 90, e do jogador Edmundo, o cineasta cresceu sem o pai e por diversas vezes sua mãe protagonizou escândalos envolvendo cobrança de pensão e reclamações em programas de TV sobre a ausência do ex-companheiro.

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Alexandre tem 23 anos, estuda artes visuais e este é o quarto filme que produz. Ele nega o fato de a história do filme ser uma indireta para o pai.

— O filme é mais sobre quem preencheu o buraco do que sobre o buraco em si. Sobre as soluções, mulheres que estão criando os filhos sozinhas. Eu não queria que o filme fosse derrotista, no sentido de "é ruim crescer sem o seu pai e ponto". Se o meu pai for assistir ao filme e procurar uma vírgula falando sobre ele, não vai ter.

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Apesar de negar estar presente no enredo do longa que mistura depoimentos reais com ficção, Alexandre abre a produção com um vídeo de seu parto natural e encerra com a primeira festa de aniversário, onde estavam a mãe e o padrasto.

Questionado se vai convidar o jogador Edmundo para o lançamento do filme, Alexandre preferiu não responder. Aliás, o jovem cineasta evita comentar qualquer assunto que envolva o pai.

Alexandre com a mãe Cristina Mortagua

Alexandre com a mãe Cristina Mortagua

Reprodução/Instagram

— Acho que a gente perde tanto falando disso, tem tantos assuntos melhores para conversar. Não me incomoda ser chamado de "filho do Edmundo". Isso trouxe vocês [a imprensa] até aqui, é o meu trabalho. Se eu não fosse filho dos meus pais, talvez ninguém estivesse olhando para o meu filme, vou aproveitar. Não sofro não, sofri, mas não sofro mais.

Todos nós 5 milhões tem um papel importante na vida de Alexandre. Segundo ele, além de anos de terapia, o filme ajudou a transformar um dos maiores traumas de infância.

— Milhões de pessoas passaram pelo o que passei, mas o meu caso foi público, saiu no jornal. Quando conheci meus irmãos tinha uma nota no jornal. Meu maior trauma não era nem a ausência do meu pai, mas uma questão de autoestima.

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Homossexual assumido, Alexandre comenta um caso traumático da adolescência, quando Cristina Mortagua resolveu "exorcizá-lo" ao saber que o filho tinha um namorado.

"Minha mãe tentou me exorcizar", conta Alexandre

"Minha mãe tentou me exorcizar", conta Alexandre

Edu Garcia/R7

— Minha mãe usou óleo [para me exorcizar], mas ela não tinha a mínima ideia do que estava fazendo. Ela estava assustada, porque eu tinha fugido de casa pra ir pra casa do meu namorado. Ela estava no meio de uma lavagem cerebral. Mas ela sabe o quanto foi traumatizante e já me pediu desculpas. Isso tem uns 9 anos.

Enquanto supera alguns momentos desagradáveis do passado, Alexandre está animado com o primeiro longa, que deve ser finalizado em setembro para participar de festivais nacionais e internacionais ainda neste ano.

Aliás, essa não será a estreia do cineasta no exterior. Ele já tem no currículo curtas exibidos na Argentina, Los Angeles, Praga e Budapeste. Por aqui, o foco é a produtora que acabou de abrir e que já rendeu trabalhos até com Manu Gavassi.

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Além do longa, o cineasta tem um curta para lançar e projetos de outros filmes.

Ainda não há previsão da estreia de Todos nós 5 milhões nos cinemas brasileiros.

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