Cinema 'Histórias Assustadoras para Contar no Escuro' provoca certo mal-estar

'Histórias Assustadoras para Contar no Escuro' provoca certo mal-estar

Produzido por Guillermo del Toro e dirigido por André Ovredal, longa mistura elementos de três livros que Alvin Schwartz lançou entre 1981 e 91

E tudo começou numa noite de Halloween

Cartaz horripilante de Histórias Assustadoras para Contar no Escuro

Cartaz horripilante de Histórias Assustadoras para Contar no Escuro

Divulgação

São histórias assustadoras para contar no escuro - o título promete, mas o longa produzido por Guillermo Del Toro e baseado em histórias de Alvin Schwartz não entrega. Vamos por etapas. Del Toro é produtor e diretor conhecido, vencedor do Oscar (por A Forma da Água) e autor de fantasias tão complexas e fascinantes quanto A Espinha do Diabo e Labirinto do Fauno, que possuem subtextos políticos inquietantes.

O escritor, morto em 1992, foi muito popular, com uma extensa obra de mais de 50 títulos, a maioria voltados para o público infantojuvenil.

Histórias Assustadoras para Contar no Escuro mistura elementos de três livros que Schwartz lançou entre 1981 e 91, terminando a publicação pouco antes de morrer. No filme, uma garota que sonha ser escritora se envolve numa confusão com três amigos na noite do Halloween. O trio vai parar num casa com fama de assombrada - e um quarto personagem (um garoto que foge de quê?), incorporado à trama. Lá descobrem um caderno - essa é uma vertente específica do horror.

O livro possuído por um espírito maligno. Stella, a garota, folheia o caderno e as páginas vão sendo preenchidas com sangue. Contam histórias de pessoas ligadas a ela e que vão morrer. Você pode imaginar que Stella e seus amigos vão correr contra o tempo para evitar o que pode virar carnificina. Mas, para isso, será preciso decifrar o segredo do caderno - como interromper a invocação do mal?

Não, Histórias Assustadoras não tem nada a ver com a franquia famosa. Trata-se de liberdade poética do repórter, mas também de um lamento. Ao contrário de Invocação, as páginas dessas histórias não chegam a ser assustadoras de verdade. Del Toro, no cinema, é mais fantástico que outra coisa qualquer - gótico. Schwartz adorava os jogos de palavras para quebrar expectativas, e desconcertar.

As histórias assustadoras provocam certo mal-estar, até porque o diretor norueguês Andre Ovredal é do ramo, conforme demonstrou em A Autópsia, de 2016. Mal-estar, sim. Grandes sustos? Não, ou em termos.

Na origem de tudo está uma mulher que atraía crianças com suas histórias, e elas desapareciam. Histórias é aposta do mercado. Entrou em extenso circuito, com a possibilidade de estourar na bilheteria.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.