Cinema Woody Allen volta a ser acusado de abuso por filha adotiva

Woody Allen volta a ser acusado de abuso por filha adotiva

Dylan Farrow enviou carta aberta para o New York Times falando sobre suposta agressão

Woody Allen volta a ser acusado de abuso por filha adotiva

A filha adotiva de Woody Allen voltou a afirmar que o cineasta "abusou sexualmente" dela quando criança, em 1992.

Em uma carta aberta publicada no site do New York Times, Dylan Farrow acusa Allen de molestá-la em um "sótão escuro e fechado" na casa da atriz Mia Farrow, sua mãe adotiva, quando ela tinha sete anos.

Dylan, de 28 anos, também critica a celebração em Hollywood do que ela chama de "um predador que trouxe o caos para o nosso lar".

Allen foi submetido a uma investigação a respeito das alegações na época do incidente, mas não foi formalmente acusado.

Um painel de psicólogos designados por promotores americanos e pela polícia concluiu após exames que Dylan não havia sido molestada.

O causo provocou controvérsia quando um promotor disse depois que haveria "causa provável" para acusar Allen, mas que ele escolheu não fazê-lo para proteger a criança.

Pouco depois, um comitê disciplinatório da Justiça americana repreendeu o promotor Frank Maco pela declaração.

O diretor de cinema sempre negou as acusações de abuso. Ele também chegou a acusar Mia Farrow de inventar as alegações após o rompimento da relação dos dois em 1992.

"Me recuso a ficar em pedaços"

Dylan Farrow começa sua carta perguntando: "Qual é o seu filme favorito de Woody Allen? Antes que você responda, deveria saber: quando eu tinha sete anos, Woody Allen me pegou pela mão e me levou a um sótão escuro e fechado no segundo andar da nossa casa".

"Ele me disse para deitar de barriga para baixo e brincar o trem elétrico de meu irmão. Depois ele abusou sexualmente de mim."

Farrow, que vive na Flórida usando um nome diferente, disse que desenvolveu um distúrbio alimentar e o hábito de se autoflagelar após o incidente.

"O fato de ele ter se livrado do que fez comigo me perseguiu durante o meu crescimento", diz.

Do painel que concluiu que não houve abuso em 1993, ela comenta: "Alegações de abuso sexual contra os poderosos são abafadas mais facilmente. Havia especialistas que queriam atacar a minha credibilidade".

Ela diz que decidiu romper o silêncio após duas décadas, quando o filme mais recente de Woody Allen, Blue Jasmine, foi indicado ao Oscar na semana passada.

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"Tormento" de Hollywood

Farrow diz que Hollywood "piorou seu tormento" ao fazer "vista grossa" a sua história.

"Cada vez em que vejo o rosto do homem que abusou de mim — em um cartaz, em uma camiseta, na televisão — só conseguia esconder meu pânico até encontrar um lugar para ficar sozinha e cair aos pedaços. Mas desta vez, eu me recuso a cair aos pedaços", diz.

"Woody Allen é um testamento vivo da forma como nossa sociedade negligencia os sobreviventes de violência sexual e abuso".

A filha também se dirige a atores que apareceram nos filmes de Allen. "E se fosse seu filho, Cate Blanchett? Você me conhecia quando eu era pequena, Diane Keaton. Esqueceu de mim?".

No mês passado, Diane Keaton, que se relacionou com Allen antes de Mia Farrow, aceitou em seu nome um prêmio pelo conjunto da obra. O cineasta é conhecido por ser recluso e não comparecer a entregas de prêmios.

A presença de Keaton causou debate nas redes sociais e recebeu críticas do filho biológico de Allen com Mia Farrow, Ronan, que escreveu em seu perfil no Twitter:

"Não vi o tributo a Woody Allen — eles colocaram a parte em que uma mulher publicamente confessou que ele a molestou aos sete anos antes ou depois de Noivo neurótico, noiva nervosa (filme do cineasta, de 1977)?"

A carta de Dylan Farrow repercutiu em Hollywood. A atriz Cate Blanchett respondeu dizendo que "é claramente uma situação longa e dolorosa para a família e espero que eles consigam resolução e paz".

As acusações também geraram afirmações duras da mídia americana. O colunista do Wall Street Journal, Tom Gara, que disse que a carta é "o fim de Woody Allen".

Repercussão

Durante a entrega do prêmio, a atriz Mia Farrow disse que premiação "mostrou desprezo" por Dylan e outros sobreviventes de abusos. Ela também tuitou "Será que ele é um pedófilo?", incluindo o link para uma reportagem da revista Vanity Fair que fala sobre as alegações de abuso.

Em um texto sobre o assunto, o cineasta Robert B. Weide — autor de um documentário sobre Allen e da montagem sobre sua carreira exibida na entrega do Globo de Ouro — questiona a postura da atriz, afirmando que ela concordou sem dificuldades que trechos de filmes de Allen estrelados por ela fossem exibidos na homenagem.

Mia Farrow se envolveu com Woody Allen no início dos anos 1980. O casal, que nunca se casou oficialmente e viveu em casas separadas durante toda a relação, adotou Dylan e seu irmão, Moses.

Eles se separaram em 1992, após a revelação de que Allen teve um caso com Soon-Yi Previn, filha adotiva de um relacionamento anterior de Farrow, que na época tinha 19 anos.

As acusações de abuso sexual aconteceram pouco depois do rompimento. Na época, Woody Allen divulgou um comunicado dizendo que as alegações eram 'uma manipulação inescrupulosa e horrivelmente danosa de crianças inocentes, por motivos vingativos e de interesse próprio'.

Allen e Soon-Yi Previn se casaram em 1997 e adotaram duas meninas.

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