Pop Circo inusitado de mulheres faz palhaçada contra o machismo

Circo inusitado de mulheres faz palhaçada contra o machismo

O Circo di SóLadies estreou este mês, em São Paulo, a montagem Choque-Rosa, que reflete sobre o empoderamento feminino

Circo de mulheres usa palhaçada contra o machismo

Circo di SóLadies traz reflexão e diversão em palhaçadas itinerantes

Circo di SóLadies traz reflexão e diversão em palhaçadas itinerantes

Edu Garcia/R7

O Circo di SóLadies é formado por quatro mulheres palhaças. Promovendo espetáculos não convencionais para todos os públicos, a trupe estreou este mês, em São Paulo, a montagem Choque-Rosa, que reflete sobre o empoderamento feminino.

A apresentação, que foi desenvolvida apenas por mulheres em toda a produção, é intinerante e fará shows em parques, praças e avenidas do País.

O R7 conferiu um ensaio do grupo paulistano e falou, com exclusividade, com a atrizes que interpretam as palhaças Augustina, Greice, Úrsula e Xamanga.

Tatá Oliveira relembra as inspirações do projeto.

— Nos influenciamos por mulheres da história brasileira que sofreram com o patriarcado. Até o nome Choque-Rosa, invertido, é um questionamento sobre o fato dessa cor sempre ser associada às meninas. 

Choque-Rosa usa formas lúdicas e divertidas para falar sobre machismo, homofobia, racismo e outros problemas da sociedade. Verônica Mello explica como elas desenvolveram tais questões. 

— Trabalhamos com a linguagem do palhaço, fazendo a transposição de temáticas que são encaradas como assuntos pesados, cheios de reflexões, com humor e leveza. Assim, reconstruímos, através de quatro palhaças no palco, o papel do que é ser mulher.  

Tatá Oliveira faz a palhaça Augustina, no Circo di SóLadies

Tatá Oliveira faz a palhaça Augustina, no Circo di SóLadies

Edu Garcia/R7

Vale ressaltar que, apesar de ser um espetáculo que abraça a causa feminista, é feito para todos os gêneros e idades. Lilyan Teles fala da importância do texto para o público infantil, que sempre foi muito ligado ao circo e seus personagens.

— As palhaçadas dão graça e ação aos assuntos para não ficar muito preso ao texto e discurso. É uma tarefa difícil. As crianças que estão presentes absorvem tudo aquilo que a gente conta no palco, pois estão muito abertas ao mundo e se conectam muito rápido com as atrizes. Elas também ajudam a compor o espetáculo.

As palhaças Augustina, Greice, Úrsula e Xamanga no espetáculo Choque-Rosa

As palhaças Augustina, Greice, Úrsula e Xamanga no espetáculo Choque-Rosa

Edu Garcia/R7

Kelly Lima acrescenta que as crianças participaram de formas diferentes.  

— Nas primeiras apresentações que fizemos para a plateia infantil, notamos participações de formas diferentes. A cada cena, as crianças concordam ou reprovam o que estamos encenando. Tudo é relacionado ao universo tão diversificado da mulher, com a homosexual, a negra, a solteira e independente, a mãe. Dessa forma, fazemos uma conexão para mostrar que somos diferentes e está tudo bem. Não estamos dentro de um padrão imposto pela sociedade.

Circo di SóLadies em ação

Circo di SóLadies em ação

Edu Garcia/R7

Tatá também reflete sobre a palhaçaria feminina, que ainda surpreende e causa curiosidade no público mais acostumado a assistir homens atuando.

— Se formos analisar, a história da mulher palhaça é recente, então, ainda estamos descobrindo um pouco da linguagem do que é essa figura. Hoje em dia, não queremos mais reproduzir piadas clássicas do palhaço homem, que trazem muito preconceito e machismo. Fizemos uma grande pesquisa para mudar esse conceito.

Por outro lado, Lilyan diz que o fato de ser uma palhaça negra trouxe outra reflexão.

— Nós, na verdade, não estamos no mesmo lugar das mulheres brancas feministas. Enquanto elas estavam lutando para trabalhar, as negras já faziam isso há muito tempo, escravizadas. Eu mesma não havia parado para refletir sobre isso. Então, trouxemos a discussão em cena.

As palhaças do circo posam entre caras e caretas

As palhaças do circo posam entre caras e caretas

Edu Garcia/R7

Determinadas e interativas, as meninas ainda dão aulas de teatro e palhaçaria, além de manter um canal no YouTube, onde produzem bate-papos, matérias e convidam outras profissionais do meio. E um documentário está sendo gravado sobre o projeto Choque-Rosa. Tatá comemora o momento. 

— Nosso grupo inspira outras meninas e também observamos o trabalho de diversas artistas. É uma admiração mútua que fortalece a cena.

A agenda do grupo está disponível na página do Circo de SóLadies no Facebook.

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