Pop Exposição em São Paulo celebra empoderamento de Inezita Barroso

Exposição em São Paulo celebra empoderamento de Inezita Barroso

Artista, que faleceu aos 90 anos, foi a maior divulgadora da música caipira 

Exposição em SP celebra o empoderamento de Inezita Barroso

Nesta quarta-feira (27), Inezita Barroso ganha uma exposição em São Paulo. Objetos pessoas, relíquias e lembranças da cantora e apresentadora estarão em exibição em plena avenida Paulista, cartão postal paulistano, na região central.

Conhecida como uma das maiores divulgadoras da música caipira no Brasil, Inezita vai muito além disso. A artista morreu aos 90 anos, em 2015, mas deixou um legado heroico.

Inezita ganhou homenagem em SP

Inezita ganhou homenagem em SP

Daniel Vaughan/R7

Andreia Schinasi, coordenadora do Núcleo de Música do Itaú Cultural, elogia a homenageada.

— Ela defendeu a cultura popular brasileira. E a Inezita não brilhou só nos palcos, pois foi bibliotecária, professora, atriz, folclorista, apresentadora de rádio e TV... uma mulher muito à frente de seu tempo.

Hoje, o termo empoderamento está na moda entre mulheres que se valorizam e lutam pela igualdade de direitos na sociedade. Porém, Inezita já havia mostrado o poder feminino muito antes disso, ao romper tradições, como relembra Andreia Schinasi.

— Ela era uma exímia instrumentista. Quando decidiu tocar viola, foi um desafio para a época. A Inezita veio de uma família rica, então isso foi um momento difícil na vida dela. Até porque a viola era conhecida como um instrumento bem masculino, coisa do campo... porém, ela sempre bancou aquilo em que acreditava e venceu todas as barreiras.

"A Inezita sempre bancou aquilo em que acreditava"
Andreia Schinasi
A exposição traz muitos objetos pessoais

A exposição traz muitos objetos pessoais

Daniel Vaughan/R7

Aloisio Milani, produtor musical e jornalista, foi um dos consultores da mostra. Ele também saúda a vida memorável da violeira.

— A Inezita veio de uma família da alta sociedade de São Paulo, mas ela também sempre gostou de estar no ambiente dos trabalhadores do campo. Uma mulher que frequentou dois ambientes bem diferentes.

O violão traz autógrafos de amigos

O violão traz autógrafos de amigos

Daniel Vaughan/R7

A exposição traz peças pessoais surpreendentes como o boletim escolar de Inezita, fotos, partituras, prêmios e livros. Dividida em uma grande sala com ambientes, entre os destaques da exibição estão os cadernos que a cantora mantinha desde criança, trazendo um apanhado de recortes, catalogados por décadas.

Andreia Schinasi ficou surpresa com tantos objetos em ótimo estado.

— Nos deparamos com um acervo riquíssimo. Ela era uma pessoa muito organizada, pois guardava tudo com muito cuidado e carinho. Os cadernos contam a história desde a época em que ela era assunto em colunas sociais.

"A Inezita veio da uma família rica, mas ela sempre gostou de estar no ambiente dos trabalhadores"
Aloisio Milani
Inezita colecionava recortes da vida e da carreira

Inezita colecionava recortes da vida e da carreira

Daniel Vaughan/R7

Aloisio Milani ajudou a filha, Marta, a guardar as raridades da cantora.

— O acervo ocupava quase todo o apartamento da Inezita, mas ela sempre foi muito zelosa com as lembranças. Tudo que você vai ver aqui são, na maioria, coisas inéditas. Isso nunca havia saído da casa dela.

A viola caipira, claro, também é um dos xodós da mostra. Estão sendo exibidos dois instrumentos que acompanharam a cantora, além de uma viola interativa que reproduz música a um simples toque de mão.

Inezita gravou mais de 80 discos

Inezita gravou mais de 80 discos

Daniel Vaughan/R7

Por cerca de 30 anos, Inezita apresentou o Viola, Minha Viola. Aloisio Milani trabalhou com ela nos últimos tempos do célebre programa, na TV Cultura. Ele relembra como foi estar ao lado da estrela.

— Ela era muito bem-humorada, mas também tinha muita certeza do que queria. A Inezita era muito tradicional. Por exemplo, no programa não entrava guitarras, ela queria o modo acústico, raiz. Se aparecesse algo fora do planejado, ela falava que não gravava assim... essa era a defesa dela. Uma vez ela colocou um tecladista escondido atrás de um coqueiro cenográfico do palco. (risos)

A curadoria da mostra é do violeiro e compositor Paulo Freire com os Núcleos de Música e de Enciclopédia do Itaú Cultural, onde a ocupação acontece. A exposição abre nesta quarta-feira (27) e segue até 5 de novembro.

Inezita Barroso era uma competente instrumentista

Inezita Barroso era uma competente instrumentista

Daniel Vaughan/R7

Ocupação Inezita Barroso
Quando:
De 27 de setembro (quarta-feira), a partir das 20h, a 5 de novembro (domingo). 
Visitação: Terças-feiras a sextas-feiras, das 9h às 20h. Sábados, domingos e feriados, das 11h às 20h
Quanto: Entrada gratuita