Maria Bethânia participa de show de Verão da Mangueira: "Poesia é um modo de libertação"

Cantora interpretou um dos principais sucessos de Roberto Carlos, Emoções

Maria Bethania
Maria Bethania Alex Palarea e Felipe Assumpção / AgNews

O camarim do Show de Verão da Mangueira recebeu uma figura ilustre na quinta-feira (16): Maria Bethânia foi muito assediada por fãs e até mesmo pelos músicos e passistas da escola. Segundo a coluna Direto da Fonte, Bethânia fez questão de usar a faixa verde e rosa na hora dos cliques. 

A abertura do show foi dedicada a Roberto Carlos: Emoções foi a música que deu início à apresentação. A cantora ainda concedeu uma entrevista à coluna. Confira trechos:

— Este ano, não [vou desfilar pela Mangueira]. Fui convidada para homenagear Naná Vasconcelos, no carnaval do Recife o que para mim seria outra glória, tão grande como essa de ser homenageada pela Mangueira. O problema é que temos algumas dificuldades com as datas. Por isso, não sei se vou estar no Recife exatamente durante o carnaval. Mas meu coração estará lá, homenageando Naná. E mais: revelando e confirmando ao Recife minha paixão por aquela cidade e por aquele carnaval único.

Bethânia, ainda, foi questionada sobre como se sentia ao cantar um enredo feito exclusivamente para ela, A Menina dos Olhos de Oyá. 

— Eu nunca cantei, na verdade. Se eu cantasse ficaria esquisito porque são muitas referências a coisas que aconteceram na minha história. É bonito ouvir, mas ao mesmo tempo sinto que esse enredo é do meu orixá. Uma homenagem a Iansã, através da minha presença na Terra. E com isso eu posso brincar um pouco, então eu canto alguns pedaços só. O Luizito (da Mangueira) é genial, grande cantor, que é quem canta o samba-enredo e pediu para eu cantar. Eu disse que cantaria só algumas frases.

Sobre a ligação forte da cantora com a poesia e a escrita, Bethânia se mostra humilde:

— Não escrevo... A minha relação com a palavra vem desde menina, por conta da minha casa. Meu pai gostava muito de poesia, minha irmã Mabel é poeta, o Caetano (risos) não vamos nem falar... e ele era meu irmão mais próximo. Então, estava sempre me guiando, orientando, me mostrando, maravilhoso. A ligação vem daí. Depois o Fauzi Arap, no Rio de Janeiro, já como profissional, me mostrou Fernando Pessoa. E me ensinou também Clarice Lispector.

Uma das maiores vozes da MPB encerrou falando sobre a literatura no Brasil:

— Sempre é bom ter poesia. Em qualquer circunstância. Boa ou má. Acho que estamos com dificuldades sérias e graves e acho que poesia pode ser uma das saídas, um modo de libertação.