Pop Maria Eugênia Vieira fala sobre o filme Cássia Eller: "Tenho muita saudade, mas agora é mais fácil para mim"

Maria Eugênia Vieira fala sobre o filme Cássia Eller: "Tenho muita saudade, mas agora é mais fácil para mim"

Mulher da cantora conversou com o R7 sobre o documentário, o novo álbum e o filho

  • Pop | Nathalia Ilovatte, do R7

Maria Eugênia com Cássia Eller e o filho, Francisco

Maria Eugênia com Cássia Eller e o filho, Francisco

Divulgação

A trajetória e a dimensão da cantora Cássia Eller viraram um documentário que chega aos cinemas nesta quinta-feira (29). Dirigido por Paulo Henrique Fontenelle, de Loki, o filme Cássia Eller reúne entrevistas da cantora, depoimentos de amigos e familiares e cenas de shows e bastidores, para explicar quem foi a artista e o tamanho do legado que ela deixou para a música.

Entre relatos de Nando Reis, Zélia Duncan e outros músicos que trabalharam e conviveram com Cássia aparece Maria Eugênia Vieira, mulher da cantora e personagem fundamental na história dela. Além de dividir a vida com Cássia Eller durante anos, Maria Eugênia também é mãe de Chicão, filho da cantora, que tinha apenas 8 anos quando a mãe morreu.

Ao R7, Maria Eugênia fala sobre o filme, as gravações raras de Cássia que serão lançadas em 2015 e a saudade da parceira.

R7: O que você achou do documentário?
Maria Eugênia:
Eu adorei, achei que ficou muito legal. O Paulo consegue abordar todos os assuntos de uma maneira muito sensível. Nós não nos conhecíamos antes do filme, ele me mandou um e-mail e a gente se encontrou, mas o cartão de visita dele, para mim, foi o Loki.

R7: Você pediu a ele para acrescentar ou tirar algo do filme?
ME:
Não, ele teve total liberdade e ficou quatro anos fazendo essa pesquisa. Ele montou, editou e só quando estava finalizado ele mostrou.

R7: Você precisou de um tempo para se sentir preparada para contar essa história e vê-la em um filme?
ME:
Quando eu dei o depoimento, que já tem um ano e meio, já tinha se passado 12 anos da morte da Cássia. É uma coisa mais fácil agora pra mim. Eu tenho muita saudade, sinto muito a falta dela, mas é uma coisa que eu consegui digerir bem. Agora é uma saudade gostosa. Então eu gosto de falar sobre ela, gosto de ouvir.

R7: E o filme tem ótimas histórias da Cássia.
ME:
Sim, ele tem uma parte divertida porque a Cássia era uma pessoa muito divertida. Ele mostra isso também, ela era uma pessoa absolutamente bem humorada, de bem com a vida. Acho que o filme traz esse lado mais moleque da Cássia, e eu me diverti muito com ele.

R7: Hoje tem muita gente mais jovem que tem um primeiro contato com o trabalho dela. Como você espera que ela seja vista?
ME:
A Cássia conseguiu, e acho que nisso tem o dedo do Nando Reis, ser tornada um produto muito palatável e para qualquer idade. Desde a criança até a vovó pode curtir a Cássia. O Acústico, o último trabalho dela, é um disco que qualquer pessoa vai ouvir e vai gostar. E os mais jovens talvez se identifiquem mais com comemeço da carreira, mais pesado, rock ‘n’ roll. Sou suspeita para falar porque admiro muito o trabalho dela, mas acho que é uma artista muito atemporal. Os jovens hoje curtem muito, ela falou para todo mundo, para muita gente. Ela fala isso no filme, que ela tem um jeito de ser e de falar que as pessoas todas se identificam muito,  porque ela é muito simples.

R7: Um novo disco com gravações raras vai ser lançado?
ME:
Tem um CD com músicas conhecidas mas que não foram ouvidas ainda na voz da Cássia. Esse trabalho que vai ser lançado em 2015 é para fãs, não tem nenhuma qualidade técnica, é uma fita cassete que ela gravou quando tinha 20 anos. Foi feito um trabalho de digitaização, de tirar ruídos e melhorar um pouquinho. Mas é para fã, porque é um registro antigo, sem qualidade técnica, mas é a Cássia com uma voz super de criança ainda, cantando músicas muito legais. Tem músicas dos Beatles, tem Ednardo. Ainda não tem uma data formal de lançamento, ainda estamos trabalhando na parte da burocracia, tem uma parte chata para lançar um álbum que está sendo feita agora, mas sai até o meio do ano.

R7: Além do filme e do álbum, tem mais algum trabalho da Cássia ou sobre a Cássia sendo feito?
ME:
Bom, esse álbum se chama O Espírito do Som e é o volume 1. Tem outras coisas inéditas da Cássia que vão ser lançadas mais para frente. E eu recebi até uma proposta de fazer outro filme mas vamos dar uma parada agora, porque já teve o musical, o filme, e tem esse CD.

R7: O Chicão tem uma banda. Ele vai seguir carreira musical também?
ME:
O Chicão está numa fase de experimentação,  está com 21 anos, se definindo. Ele será músico com certeza. Na verdade ele já é, já toca, está sempre com seu caderninho. A onda dele é compor, é mais para poeta, escreve e de repente põe melodia nas poesias que ele faz. Ele ao mesmo tempo está fazendo Geografia na UFF, mas a música está na vida dele para sempre. Só não sei se vai levar isso profissionalmente.

R7: No filme ele impressiona pelas semelhanças com a mãe. O Chicão é parecido com ela no dia a dia?
ME:
Ele me lembra muito ela, direto. Não só nesses traços e gestos, como também em traços de caráter, personalidade. Essa coisa da genética é forte. O timbre da voz dele me lembra ela. E ele é muito tímido, como a mãe. É uma delícia.

R7: O processo da guarda do Chicão é mostrado no filme como um marco na justiça brasileira. Foi isso mesmo para você?
ME:
Eu tive muita sorte, porque tive o apoio de praticamente toda a família da Cásia. Da mãe, das irmãs, do irmão. A família toda me apoiou muito e acho que isso foi bastante definitivo. E também teve a coisa da verdade da nossa história, a gente tinha muitas testemunhas e documentação que demonstravam a minha relação com ela e com o Francisco desde que ele nasceu. Mas eu passei muito aperto porque pelas leis brasileiras, o avô, que queria a guarda, teria precedentes. Mas como era um caso muito específico, acho que a coisa se resolveu daquela maneira. O que é importante que fique claro é que o que ocorreu foi uma disputa pela guarda do Francisco e que no fim das contas houve uma conciliação, não houve uma decisão do juiz a meu favor. Foi significativo, e abre portas, eu sei. Mas não é que a justiça brasileira decidiu me dar a guarda, o que teria sido muito mais significativo. O que ocorreu é que o advogado do avô do Francisco viu que tinha uma grande chance de perder e resolveu fazer ali mesmo uma conciliação.

R7: Como foi essa fase para vocês?
ME:
Eu passei bastante apuro durante esses 10 meses entre a morte da Cássia e a guarda definitiva do Francisco. Mas em nenhum momento passou pela minha cabeça ficar sem ele. E para ele com certeza foi muito difícil também. A mãe tinha morrido. O garoto aos 8 anos era órfão de pai e mãe. Não foi nada fácil para ele, mas a gente teve muito apoio da família, dos amigos, da escola. A gente ficou muito cercado de muito amor durante esse tempo.

R7: Você se tornou uma militante?
ME:
Não me tornei uma militante na época e isso foi uma estratégia combinada com o advogado, a gente tinha que reforçar ali a imagem de mãe. Nunca negar a questão da homossexualidade e da família diferente que a gente era, mas reforçar a questão da minha relação com eles. E nesse momento meu único objetivo era conseguir a guarda do Chicão. Eu não estava nem um pouco preocupada com militância. Hoje sim, eu sou envolvida com a causa, porque a gente não pode se omitir. Eu milito participando de manifestações, no Facebook, voto em candidatos que representem esse segmento, e por aí vai. 

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