Aos 12 anos, MC Doguinha pode ter clipe removido do YouTube

De acordo com o MP-RJ, a conduta vulnera os princípios da proteção à criança

MC Doguinha: funkeiro é investigado pelo MP do Rio
MC Doguinha: funkeiro é investigado pelo MP do Rio Divulgação

O hit Vem e Brota na Minha Base, de MC Doguinha, pode ser retirado do YouTube a qualquer momento.

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), por meio da 1ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva da Criança e do Adolescente da Capital, instaurou inquérito civil para tentar remover extrajudicialmente a música da plataforma de vídeos.

Após análise do vídeo, verificou-se que as imagens mostram um adolescente de 12 anos de idade, conhecido como MC Doguinha, fazendo apologia a práticas sexuais, tanto nas cenas quanto nas letras.

De acordo com o MP-RJ, "a conduta vulnera os princípios da proteção integral da criança e do adolescente e da finalidade social da internet".

Além de expedir ofício à empresa Legenda Funk, responsável pelo clipe, e à Google Brasil, para que retirem o link da internet em trinta dias, o MP-RJ remeteu cópia dos documentos às Promotorias de Infância e Juventude de Duque de Caxias, onde mora MC Doguinha, para que adotem as medidas cabíveis visando à proteção individual do menor.

Procurado pelo R7 por telefone, e-mail e Facebook, o escritório do cantor não se manifestou sobre o assunto.

 

 

Fama rápida

Apesar da idade, MC Doguinha é ídolo de um público mais adulto. Em vídeos disponíveis no YouTube, o cantor aparece ao lado de homens mais velhos, que exaltam as rimas e letras do funkeiro, e cantando para públicos de jovens e adolescentes.

Com 13 milhões de visualizações, o clipe Vem e Brota Aqui Na Minha Base é um dos mais populares do funk em 2017.

Essa fama rende uma agenda corrida a Doguinha, que realiza uma dúzia de shows por semana.

Apesar de impactante, Doguinha não é o primeiro músico menor de idade a fazer sucesso no funk e chamar atenção do Ministério Público.

Em 2015, os MCs Pedrinho, Pikachu, Brinquedo e Melody viraram alvos de uma investigação do Ministério Público de São Paulo pelos mesmos motivos.

A análise incluiu não só o teor das letras e danças apresentadas nos funks, mas também as relações profissionais e contratuais dos jovens com os empresários e a responsabilidade dos pais sobre a atuação artística dos filhos.