Música Documentário sobre Inezita Barroso estreia nesta terça em São Paulo

Documentário sobre Inezita Barroso estreia nesta terça em São Paulo

Filme Inezita conta a trajetória heroica da mulher que enfrentou a família e a sociedade machista para se tornar símbolo da cultura brasileira

Documentário sobre Inezita Barroso estreia nesta terça em São Paulo

A rainha da música caipira Inezita Barroso é tema de um documentário. Inezita, dirigido por Helio Goldsztejn e com roteiro de Fabio Brandi Torres, estreia nesta terça-feira (26), em São Paulo (veja serviço abaixo).

O filme conta a trajetória heroica de Ignez Magdalena Aranha de Lima, mais conhecida como Inezita Barroso. A artista, que morreu em 2015, foi uma das maiores defensoras da cultura tradicional brasileira.

Empoderada muito antes do termo virar moda, Inezita enfrentou a família e a sociedade machista para se tornar musicista. E, além de cantora, a diva caipira foi violeira virtuosa, atriz, bibliotecária e apresentadora de TV, tendo comandado por 35 anos o programa Viola, Minha Viola (TV Cultura).

O filme Inezita foi lançado, em 2018, na 42ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (MIC), e só agora será exibido para o grande público

O R7 conversou com Helio Goldsztejn para saber mais sobre o documentário.

Inezita trabalhou em diversas áreas culturais

Inezita trabalhou em diversas áreas culturais

Daniel Vaughan/R7

R7 — Como surgiu a ideia do documentário?
Helio Goldsztejn — Foi a partir da ocupação sobre Inezita Barroso
no Itaú Cultural, em setembro de 2017. Os organizadores entraram em contato conosco para utilização do material riquíssimo com acervo de imagens que temos da TV Cultura. A partir dessas negociações, Eduardo Saron, diretor do lugar, sugeriu a realização desse documentário. E ele já tinha visto outros trabalhos que dirigi, com personagens femininos fortes como o documentário de Ligia Fagundes Telles. A ideia me fascinou, então convidei o roteirista Fábio Torres e fomos pesquisar no material pessoal dela, nos acervos existentes em outras emissoras, assim como de filmes que a cantora participou.

R7 — O que mais te surpreendeu nas pesquisas sobre Inezita?
Helio Goldsztejn —
Conversamos com os amigos, os profissionais que trabalharam com ela e família. Então, descobri uma Inezita que não conhecia, as histórias foram brotando como causos e o personagem Inezita tomou conta da gente.  Levantamos pesquisas que nos surpreenderam e situações que mereciam ser encenadas novamente e recriadas. A formação de Inezita, a família rica que não aceitava o amor dela pela viola e o encanto das músicas dos caipiras nas fazendas da família.

R7 — Qual é a falta que Inezita faz para a nossa cultura?
Helio Goldsztejn —
Inezita levou a música de raiz muito a sério e com bom humor. Esse era o caminho. Arrisco a dizer que há poucos personagens como Inezita. Na década de 50, ela dirigiu um jipe da Williys pelo Brasil adentro, atrás da memória dos caipiras. Descobriu canções que não teriam sobrevivido sem essa pesquisa feita na raça sem nenhuma ajuda governamental, com recursos, muitas vezes do próprio bolso, para na volta ninguém se interessar pelo rico material coletado. Depois, a cantora herdou um programa de raiz, Viola Minha Viola, e falou diretamente com o povo. E ainda sobreviveu aos diversos movimentos da música brasileira, traçou uma régua entre música caipira, de raiz e o que ela chamava de modismos.

R7 — A história de Inezita é repleta de curiosidades. Como vocês fizeram para separar o que entrou no filme?
Helio Goldsztejn —
Foi difícil editar um material de alguém obcecado em registrar tudo. São dezenas de cadernos, milhares de fotos e imagens únicas, assim como depoimentos tocantes. Para ter ideia, recuperamos até uma cadeira original do restaurante Parreirinha, o preferido dela. Uma das netas fez o papel de Inezita em algumas situações, como a cena da seresta e outras que foram reencenadas a partir do depoimento da própria artista.

R7 — Depois da estreia, o filme vai passar nos cinemas e TV?
Helio Goldsztejn —
Depois do dia 26 de fevereiro no Itaú Cultural, o documentário vai para os cinemas no dia 28 de março. A ideia inicial é ter uma estreia nacional, incluindo também o interior de São Paulo. O filme já participou de alguns festivais e mostras. E, após os cinemas, Inezita será exibido na TV Cultura.

Exibição do filme Inezita em SP
Quando:
Dia 26 de fevereiro (terça), às 19h
Onde: Sala Itaú Cultural - Avenida Paulista, 149, Estação Brigadeiro do Metrô
Duração: 85 minutos
Classificação indicativa: 10 anos
Quanto: Entrada gratuita
Distribuição de ingressos: Público preferencial: uma hora antes do evento, com direito a um acompanhante. Público não preferencial: uma hora antes do evento, com um ingresso por pessoa
Contato: (0xx11) 2168-1777
Estacionamento: Entrada pela Rua Leôncio de Carvalho, 108. Com manobrista e seguro, gratuito para bicicletas