Música Enquanto projeto pretende criminalizar o funk, artistas do gênero fecham mega-acordo com grande gravadora

Enquanto projeto pretende criminalizar o funk, artistas do gênero fecham mega-acordo com grande gravadora

MC Lan, MC Fioti e MC Mirella são os novos contratados da Warner Music

Enquanto projeto pretende criminalizar o funk, artistas do gênero fecham mega-acordo com grande gravadora

Thayna Laduano

Se antes o funk era visto com maus olhos, hoje o gênero musical é a moeda de ouro das grandes empresas fonográficas. Prova disto é a parceria que a Warner Music selou com a RW, escritório de funk. Nesta semana, as empresas se reuniram para que os MC's Lan, Fioti e Mirella firmassem o projeto. Sergio Affonso, presidente da Warner Music, enalteceu os novos membros de seu casting.

— Estou feliz por viver este momento, é uma experiência importante para nossa companhia, que já tem 50 anos no Brasil. Vamos trabalhar para que a carreira deles cresça cada vez mais. Em anos de indústria fonográfica, nunca vi este movimento, união. A juventude tem muita força. Tenho certeza que vai ser uma parceria de sucesso.

Affonso acredita que o funk vai ganhar cada vez mais espaço no cenário musical. Ele confidenciou que isso foi a “faísca” para que o projeto saísse do papel.

— Os artistas são novos, com uma energia que faz falta em nossa cultura e música. Vai ser difícil ficar só com eles, já temos outros nomes em mente para agregar. O funk começou no Rio de Janeiro, mas se solidificou em São Paulo. Você escuta funk em festa de casamento, bar, onde for. Não tenho dúvidas que o gênero vai crescer cada vez mais.

Apesar dos novos negócios, há uma proposta para criminalizar o estilo musical. O empresário paulista Marcelo Alonso já conseguiu mais de 20 mil assinaturas e seu pedido foi encaminhado para a relatoria do senador Cidinho Santos (PR) na CDH (Comissão dos Direitos Humanos e Legislação Participativa).

Thayna Laduano

Os novos talentos

A semana foi especial para os funkeiros — MC Lan é um dos grandes nomes do gênero atualmente. Aos 23 anos, ele prefere manter os pés no chão e trabalhar para ter cada vez mais reconhecimento profissional. Só este ano, ele lançou 62 músicas.

— Minha música é um desabafo. A maioria dos brasileiros tem algo para falar, mas ninguém tem coragem de expor assim. Minhas canções são a realidade. Fui parar no funk quando trabalhava em uma loja que vendia peças por R$ 10. Substituí um rapaz, eles gostaram da minha voz, rima, e apareceu um empresário, que investiu em mim.

Sucesso com a música "Joga o Bum Bum Tamtam", MC Fioti não sonhava em ser cantor. A princípio, seu sonho era ser jogador de futebol. Com 23, ele garante que a música melhorou sua condição financeira e que hoje tem “cacife” para ajudar sua família.

— Como não deu certo [jogar futebol], comecei a escrever e gravar. Mostrei aos meus amigos e eles me incentivaram a ir atrás de uma produtora. Em 2016, conheci a RW e, hoje, faço parte da Warner. Ontem eu sonhava, agora é realidade. Ainda não tenho data, mas, em breve, farei uma turnê pela Europa.

A história de MC Mirella com o funk nasceu no colégio. Hoje, a canção mais famosa da artista é "Piru de Natal". Aos 17, a artista ressalta que ainda é tudo novo para ela, mas que está pronta para alcançar suas metas.

— Não esperava esse sucesso. No começo, queria atingir o público da favela. Depois, vi que crianças acompanhavam meu trabalho e mudei meu estilo de música para expandir meus horizontes.

Assim como MC Mirella, Gabriel Medeiros começou a fazer rima na escola. O rapper foi o único artista de fora do funk a assinar com a Warner Music. Após selar o contrato, ele promete lançar seis clipes.

— Cantava com meus amigos, montava minha rima. Tento passar minha realidade na música. Me inspiro no rapper brasileiro Dexter. 

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