Música Morte de Ritchie Valens completa 60 anos e é revisitada em peça

Morte de Ritchie Valens completa 60 anos e é revisitada em peça

História do cantor, que perdeu a vida em fevereiro de 1959 em um trágico acidente de avião, é contada no musical 'La Bamba'   

Morte de Ritchie Valens completa 60 anos e é revisitada em peça

Ritchie Valens: músico morreu aos 17 anos, em 1959

Ritchie Valens: músico morreu aos 17 anos, em 1959

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Nos dias 19, 20 e 21 de julho, o teatro J. Safra, em São Paulo, recebe o musical La Bamba. Dirigido por Cesar Bournier, a peça rememora os 60 anos da morte de Ritchie Valens, vítima de um acidente aéreo em fevereiro de 1959, que também vitimizou Buddy Holly e The Big Popper.

A abrupta saída de cena dos três, — que são considerados astros da era inicial do rock and roll —, é uma tragédia incomparável na história da música pop mundial e, durante décadas, mexeu com o imaginário popular.

Tanto que, 12 anos depois, o acidente voltou a ser comentado e ficou conhecido definitivamente como "O dia em que a música morreu", após o cantor Don Mclean cunhar a frase em uma das estrofes do sucesso American Pie, de 1971 (e que seria regravado por Madonna em 1997).

Em 1987, a história de Ritchie voltou a ser abordada, mas em filme. Também batizado com o nome do principal sucesso do cantor descendente de mexicanos, o longa metragem de Luis Valdez é realístico e conta a curta e meteórica trajetória do astro adolescente de forma crua.

Filme La Bamba trouxe abordagem crua da história

Filme La Bamba trouxe abordagem crua da história

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Porém, na montagem para o teatro realizada no Brasil em 2019, Bournier diz que a ideia é se distanciar desse estilo e ir em busca de uma ruptura com a linearidade do enredo do filme. "Não se trata única e exclusivamente sobre a vida e obra de Ritchie Valens. A montagem para teatro foi idealizada e inspirada nos desenhos animados, cartoons e pin-ups famosos na década em que se passa a história.

Os sentimentos e sensações estabelecidos através das cores na montagem e as escolhas de músicas com apelo sentimental que fazem parte da memória emotiva do espectador trazem um frescor para essa história linda, porém, com desfecho trágico, o que propõe ao público a sentença que o fim é apenas o começo", explica o diretor.

Dessa maneira, ele comenta que a história é contada com o objetivo de fazer com que os mais jovens entendam o impacto do trabalho de Valens ao longo dos anos e como La Bamba influencia a música pop até hoje. "Muitos jovens não têm consciência sobre as origens de suas músicas, cantores e estilos musicais preferidos. Espero que entendam que Ritchie Valens revolucionou a sua época e que, se não tivesse sido interrompido em trágico acidente aéreo, certamente teria influenciado e ditado até outros caminhos para música", analisa.

Releitura em teatro traz abordagem lúdica da história

Releitura em teatro traz abordagem lúdica da história

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No repertório, sucessos do período da tragédia e de outras épocas se fundem para provar como Valens e os primórdios do rock atingem a música popular. "Rompemos com o tempo e o espaço para escolher o restante do repertório, justamente para criar uma atmosfera de looping infinito, que o fim também é o começo, que tudo está conectado. Da mesma forma que o passado influencia o futuro, o futuro influencia também o passado", explica.

Para o papel de Valens, o diretor explica que a escolha de Augusto Volcato teve como critério o fato de unir qualidades preponderantes para um espetáculo musical: atuar e cantar bem. "Ele trouxe para o personagem de Ritchie Valens leveza, beleza e soube introduzir de maneira brilhante a figura lúdica dos desenhos animados, proposta pela direção", comenta.

Apresentado anteriormente apenas no Rio de Janeiro, La Bamba desembarca em São Paulo como uma produção independente e sem previsão para estrear em outras praças ou para temporadas mais longas por aqui. "Ainda não temos patrocínio e estamos buscando parceiros para realizar esse objetivo.  Estamos fazendo São Paulo com recursos próprios, mas é um custo muito alto, inviabilizando a realização desses objetivos sem o patrocínio necessário", lamenta Bournier.