Música Retrofoguetes lança álbum para homenagear filmes de espionagem

Retrofoguetes lança álbum para homenagear filmes de espionagem

Roqueiros de Salvador mostram hoje as 13 faixas inéditas  do Enigmascope Volume 1 

Retrofoguetes lança álbum para homenagear filmes de espionagem

O quarteto Retrofoguetes está lançando um novo álbum

O quarteto Retrofoguetes está lançando um novo álbum

Uanderson Brittes/Divulgação

A banda de rock Retrofoguetes está de volta após um período de sete anos sem lançar discos. A espera dos fãs é recompensada com um álbum denso, conceitual e muito bem executado. Em clima de trilha sonora de filme de espionagem, as treze faixas de Enigmascope Volume 1 proporcionam uma viagem mágica e misteriosa.

Em seu trabalho mais maduro em 15 anos de carreira, o grupo apresenta uma sequência de tirar o fôlego cheia de martinis, doses de cianeto, cenas de perseguição, ruas desertas, mulheres fatais, códigos secretos e vilões.

Formada por Fábio Rocha (baixo), Júlio Moreno (guitarra), Rex (bateria), Morotó Slim (guitarra), a banda Retrofoguetes se destaca na cena do rock instrumental de Salvador, cena que eles mesmo ajudaram a criar com a sua proposta de surfmusic. Hoje o disco já está disponível para audição, na íntegra, pelo Youtube.

A capa do álbum também é uma homenagem aos filmes de espionagem e às capas de LPs. A imagem das manequins maquiadas são uma refência às bond girls da franquia do 007.  

Em setembro, o trabalho chega nas principais  plataformas de música digital. Confira a entrevista com o baterista Rex, um dos fundadores do Retrofoguetes.

R7: Como surgiu a banda? Há quanto tempo vocês se conhecem?
Rex: A banda surgiu após a dissolução dos Dead Billies em 2001. Tinha proposto a Morotó que montássemos um projeto paralelo para tocar surf music instrumental. Eu já tinha todo o conceito na minha cabeça, inclusive o nome Retrofoguetes. Com o fim da banda, resolvemos chamar Joe e dar prioridade a esse projeto que deixou de ser paralelo. Fizemos nosso primeiro show na praia, no verão de 2002. Depois de um ano, Joe recebeu o convite para fazer parte da banda de Pitty.  Então o CH Straatmann substituiu Joe no baixo e ficou com a gente até 2013. Joe voltou pra banda, mas ficou difícil levar o trabalho adiante, porque ele continua morando em São Paulo e nós em Salvador. Hoje, deixamos de ser um trio e passamos a ser um quarteto, com Fábio Rocha no baixo e Júlio Moreno na outra guitarra. Todos já se conheciam há muitos anos, principalmente eu, Morotó, Joe e Fábio, já que começamos na música quando éramos adolescentes na cidade baixa.

R7: Como é a cena de música instrumental em Salvador?
Rex: Salvador sempre teve uma cena de música instrumental voltada para o jazz e a música erudita. Fomos a primeira banda de rock a fazer música instrumental na cidade, depois disso, surgiram outras bandas bem bacanas, como a Vendo 147, a Tentrio e a recente e extraordinária Ivan Motosserra. 

R7: O que o grupo fez nesse hiato de sete anos?
Rex: Depois do lançamento do ChaChaChá em 2009, tocamos nas principais capitais do país, principalmente nos festivais mais importantes da cenário alternativo. Iniciamos a pré-produção de um novo álbum, quando o trabalho foi interrompido com a saída de CH da banda. Descartamos esse material, e com a nova formação iniciamos, no ano passado, o processo de composição de Enigmascope Volume 1. Sabíamos da importância de lançarmos um novo disco, para que a banda continuasse a rodar. Estamos bem confiantes, porque acreditamos ter conseguido um resultado incrível com esse novo trabalho.

R7: O álbum é uma espécie de trilha sonora para um filme espionagem imaginário. Como é o processo de composição da banda?
Rex: Começamos o processo de composição em setembro do ano passado. Passávamos em média 18 horas semanais compondo juntos com violões, baixolão e eu tocando num catálogo telefônico com vassourinhas. Normalmente alguém trazia um ideia de melodia ou uma levada e todos contribuíam com outras partes, outras soluções. Essa é a primeira vez que nós sentamos juntos para compor um disco. Essa experiência foi muito interessante e muito positiva para o grupo. Somos influenciados pela cultura pop de uma forma geral. Quadrinhos, livros de bolso, antigos seriados de TV e é claro, o cinema.

R7: O cinema é uma influência forte?
Rex: Sempre pensamos em nossos temas como trilha sonora, o que acabou trazendo pra nossas músicas um caráter imagético. Nos trabalhos anteriores, isso aparece de forma mais solta, menos conceitual. No Enigmascope, resolvemos tematizar o repertório. Nos anos de 1960, no auge da guerra fria, tivemos um boom dos filmes de espionagem, principalmente na Europa. Compositores como John Barry, Lalo Schifrin, Jerry Goldsmith, Henry Mancini e os italianos Ennio Morricone, Bruno Nicolai, Piero Piccioni, definiram o que viria ser chamado de spy jazz ou, de forma mais abrangente, spy music. Eles trouxeram para as trilhas o que era pop na época, jazz, rock, bossa nova, muzak, música latina, surf music, acrescentando doses de suspense, de tensão, romance e mistério às melodias e harmonias. O Enigmascope é quase um tributo ao gênero e a esses compositores. Compusemos os temas pensando em passagens de um filme que só existe obviamente na nossa cabeça e, da mesma forma que esses compositores, passeamos por vários gêneros musicais.

R7: A ideia é escrever um volume 2 e, quem sabe, um volume 3?
Rex: O plano é lançar o volume 2 no ano que vem. Já temos algumas composições, inclusive 4 músicas já gravadas, que resolvemos deixar de fora do volume 1. Ainda é um pouco cedo para pensar num volume 3. Ainda tem muita coisa para acontecer.

R7: Quais são as influências musicais da banda? Alguma delas é mais perceptível neste álbum?
Rex: Ouvimos muitas coisas. No início, a banda tinha uma influência grande da surf music. Desde os Dead Billies, gostamos muito de bandas como The Ventures, Trashmen, Surfaris, Man or Astroman?, e caras como Jick Dale e Link Wray. Eu e Morotó sempre fomos fãs de rockabilly, swing jazz e psychobilly. Para compor esse disco, buscamos inspiração nas trilhas dos filmes de espionagem dos anos 1960. John Barry, Lalo Schifrin, Jerry Goldsmith, Mancini, Piero Piccioni e Bruno Nicolai, criaram trilhas incríveis utilizando o que era pop na época: surf music, bossa nova, música latina, jazz e rock.

R7: A versão física do disco chega quando? Como as pessoas poderão comprar?
Rex: O CD já está disponível e pode ser comprado nos shows da banda, em algumas lojas de Salvador ou através do nosso Facebook.  Vamos lançar o álbum no Youtube dia 30, e a partir do dia 10 de setembro, estará disponível nas principais plataformas digitais.

A capa do álbum é uma homenagem aos LPs de vinil

A capa do álbum é uma homenagem aos LPs de vinil

Divulgação
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