Música Tim Maia ganha homenagem de músicos nos 20 anos de sua morte 

Tim Maia ganha homenagem de músicos nos 20 anos de sua morte 

Racionais, Criolo, CPM 22 e outros artistas falaram sobre a importância do cantor, que morreu no dia 15 de março de 1998 

Tim Maia é celebrado por Racionais, Criolo, Hyldon e outros artistas

Tim Maia influenciou artistas de várias épocas e estilos

Tim Maia influenciou artistas de várias épocas e estilos

Reprodução/CD

Nesta quinta-feira (15), faz 20 anos que Tim Maia morreu. Após duas décadas, não apareceu ninguém tão original, contestador e popular quanto Tim. 

Logo de cara, um dos maiores méritos do compositor foi ter incorporado o soul americano ao ritmo brasileiro, quando voltou deportado de uma viagem aos EUA. De lá, ele trouxe o groove gringo, sem perder a brasilidade.

Com o primeiro disco homônimo, em 1970, Tim criou uma forma nova de compor e cantar. Entre os exemplos mais belos dessa fórmula estão os hits Você, Azul da Cor do Mar e Primavera.

Tim Maia gravando seu primeiro e histórico disco, no Rio, em julho de 1970

Tim Maia gravando seu primeiro e histórico disco, no Rio, em julho de 1970

L. Francisco/Agência Estado

Carioca nascido em 28 de setembro de 1942, Sebastião Rodrigues Maia levou uma vida tão intensa quanto polêmica. Dentro e fora dos palcos, Tim não poupava ninguém, pois sempre falou o que bem queria. Provocante, ele acabou criando frases célebres como: "O mundo só vai ficar legal quando acabar o dinheiro... porém, que não me falte nenhum por enquanto."

Veja entrevista com o filho de Tim Maia

Desafiador, ele também se tornou dono da própria carreira, quando achou que estava sendo explorado pelo sistema vigente. Enfrentou empresários ao se lançar independentemente no mercado, criando sua própria editora e gravadora (Seroma/Vitória Régia Discos). Fato comum hoje em dia, mas inusitado para uma época sem internet, dominada por grandes empresas fonográficas.

Tim Maia criou um novo estilo musical brasileiro

Tim Maia criou um novo estilo musical brasileiro

Arquivo/Estadão Conteúdo

O rei do soul nacional morreu, em 1998, aos 55 anos, no Rio, devido a um quadro grave de infecção. O vozeirão subversivo, finalmente, estava calado. Porém, sua obra musical e pensamento instigante continuaram seguindo adiante.

Hoje, o compositor ainda continua influenciando inúmeros artistas de vários gêneros e idades.

Para homenagear o imortal Tim Maia, diversos músicos falaram para o R7 sobre a importância do cantor.

Hyldon criou clássicos e foi parceiro de Tim Maia

Hyldon criou clássicos e foi parceiro de Tim Maia

Reprodução/Facebook

Hyldon Souza (cantor e parceiro de sucessos de Tim Maia)

— O trabalho dele como compositor e intérprete é muito importante. E, inegavelmente, o Tim foi um dos maiores cantores da musica brasileira. Além disso, ele teve essa visão do futuro, da globalização, trazendo a música negra americana para cá, dando um sotaque brasileiro. Os vocais e as levadas dos gringos foram misturados ao nosso ritmo, como podemos ouvir em Coroné Antonio Bento, Gostava Tanto de Você e outros sucessos.

Criolo é influenciado por Tim Maia

Criolo é influenciado por Tim Maia

Cláudio Augusto/Brazil News

Criolo

— Ele sempre foi uma felicidade para mim. Desde pequeno, eu curtia o Tim nos bailes de colégio ou de rua, onde as equipes de som faziam a festa para gente. Nos fins de semana aquilo era mágico. E o Tim Maia era dos poucos cantores que balançavam a massa: da criançinha até o vovô. Todos sabiam cantar as músicas dele. E, pra mim, que venho do rap, sempre foi uma fonte de inspiração musical. É muito cultuado no meio. Quando se fala dele, todo mundo abre um sorriso. Tim era uma pessoa autêntica e original que viveu intensamente. Não dá para medir a importância dele para a nossa cultura brasileira. É uma honra, para a gente a existência de um ser tão especial como esse. 

Arnaldo Baptista, eterno Mutante, ajudou Tim Maia

Arnaldo Baptista, eterno Mutante, ajudou Tim Maia

Reprodução/Facebook

Arnaldo Baptista (multinstrumentista, compositor, escritor, artista visual e ex-líder dos Mutantes)

— Uma das coisas mais importantes da minha vida foi quando, no programa de TV Quadrado e Redondo (já extinto), encontrei-me com Sebastião Rodrigues (Tim Maia). Ele contou-me a respeito de sua vida em Nova York... e quando estava esquecido. Tim possuía um soul inigualável, no que diz respeito a psicodelismo e som total. E ele preferia o microfone AKG D-12, no qual sua voz aparecia empostada, pelo nariz, principalmente. Na época, eu escrevi uma carta de recomendação para o produtor André Midani. E deu certo!

Os Racionais são "filhos" de Tim Maia

Os Racionais são "filhos" de Tim Maia

Divulgação/Klaus Mitteldorf

Edi Rock (Racionais MCs)

— Quando penso em Tim Maia, lembro da minha adolescência, como se fosse ontem. Indo pela primeira vez, levado por amigos na época de Vila Mazzei (SP), a um baile black de nome Dançodromo. Era comandado pela equipe Zimbabwe, na Zona Norte. Eu devia ter uns 15 anos, já havia ido em algumas baladas, mas era o primeiro específico de música negra. Quando entramos, eu olhei aquele monte de gente dançando com aquelas "roupa louca" e pensei: "Até que enfim, é isso!". Nesse momento, tocava Tim Maia, You Dont Know. Ele é uma das minhas influências e referência musical para todo o sempre! Salve, Tim Maia! E, sem ele, o nome Racionais MCs, com certeza, seria outro (risos).

Thaíde curtia Tim Maia nos bailes black

Thaíde curtia Tim Maia nos bailes black

Divulgação/Pedro Zafalon

Thaíde

— São 20 anos sem a gente parar de ouvir as músicas de Tim Maia. Ele é uma obra preciosa da nossa música! Em 1974, eu tive meu primeiro contato com o som dele através do vinil Autógrafos de Sucesso (coletânea). Ali tem a música Você, que eu já ouvia nos bailes black. Sem falar nas outras que a rapaziada ligada em samba rock curtia, como Gostava Tanto de Você. Sem dúvida nenhuma, o cantor é uma referência da nossa música popular e negra brasileira. Salve, Tim Maia!  

Claudio Zoli aprendeu muito nos ensaios de Tim Maia

Claudio Zoli aprendeu muito nos ensaios de Tim Maia

Reprodução/Facebook

Claudio Zoli

— O Tim faz falta como compositor, cantor e artista pela sua personalidade marcante. Ficamos órfãos de um líder que abriu portas para muitos artistas da soul music brasileira. Não tinha medo de falar o que pensava sobre a música em geral e revelou grandes compositores como Cassiano, Edson Trindade, Hyldon, entre outros. Ele é uma figura superimportante na minha carreira. Tive a oportunidade de assistir aos ensaios dele, sendo que ali foi meu primeiro contato com músicos profissionais. Aprendi muito convivendo com o Tim, sua banda. Tenho orgulho de representar e cantar músicas dele no meu show. Há uma semelhança natural no meu timbre de voz com o do Tim. Quando Noite do Prazer foi lançada, em 1983, todo mundo achava que era ele que cantava. Carrego grandes influências. Obrigado, Tim, pelo seu legado.

DJ Marlboro: "Tim nos ensinou a fazer funk em português"

DJ Marlboro: "Tim nos ensinou a fazer funk em português"

Reprodução/Facebook

DJ Marlboro

— Tim Maia foi um dos primeiros a fazer a música black brasileira. Antes dele, era o samba, bossa e rock. Ele trouxe a experiência musical que aprendeu nos EUA, mas jamais perdeu sua brasilidade. O Tim tinha orgulho de ser brasileiro! Quando ouvi ele pela primeira vez no rádio, pensei: "Esse cara canta bem pra caramba! [risos] Minha formação musical foi toda pela black music americana, mas, até então, eu jamais havia ouvido alguém cantar em português com o suingue do gringo. Eu até achava que havia um problema para fazer funk com nossa língua. Porém, o Tim me mostrou que isso era possível. Foi algo inspirador de todo mundo! E, além disso tudo, ele ainda é popular sem perder a qualidade. Qualquer pessoa, mesmo sem conhecimento musical apurado, conhece Tim Maia.

Leo Maia: "Meu pai foi como Bob Marley"

Leo Maia: "Meu pai foi como Bob Marley"

Thiago Duran/AgNews

Leo Maia

— Meu pai era o Bob Marley brasileiro. Porque ele é aquele cara que consegue unir todas as raças e gêneros. Um cara que canta aquilo que vai direto para o coração das pessoas. Tim é um grande rio e seus seguidores são os afluentes. Uma coisa única e genuína. Ele é a essência da música mundial. E, como pai, ele tinha outra personalidade. O Sebastião pedia a benção quando eu entrava em casa, cuidada muito da família e exigia que a gente estudasse muito. E ele também me ensinou a fazer caridade. Um cara maravilhoso!

Simoninha aprendeu a curtir Tim Maia desde criança

Simoninha aprendeu a curtir Tim Maia desde criança

Divulgação

Simoninha

— No meio de tantos movimentos musicais que aconteceram na efervescência dos anos 60, havia o rock com suas várias expressões surgindo, como o começo da MPB e canções de protesto. E, no meio disso tudo, Tim consolidou a mistura da música brasileira com a soul music logo no seu primeiro LP, consagrando clássicos como Primavera e Azul da Cor do Mar, entre tantos outros. Tim representou um segmento importante da nossa cultura brasileira/negra. Ele faz muita falta pela sua produção musical, por seu talento e irreverência. Fazendo uma analogia a um sorteio de Copa do Mundo, Tim Maia sempre seria um “cabeça de chave”. Eu o escuto desde que nasci, pois lembro da primeira vez que o vi, ainda bem criança, com o Jeep amarelo que meu pai lhe vendeu na época. Ele me ensina até hoje, porque sempre descubro algo novo e poderoso em sua obra. Sem dúvida, é uma grande referência para mim.

Badauí, do CPM 22, gosta do jeito subversivo de Tim

Badauí, do CPM 22, gosta do jeito subversivo de Tim

Divulgação/Willer Carvalho

Badauí (vocalista do CPM 22)

— Tim Maia sempre esteve presente na minha vida, pois meu pai sempre ouvia muita música brasileira em casa. Eu sempre me identifiquei com o Tim e, quando eu fiquei mais velho, também entendi mais sobre a postura dele. Ele falava a verdade e o que pensava, independentemente se isso iria afetar sua carreira. Tim nunca se vendeu e isso me influenciou como artista. Assim como ele, eu não gosto de fazer "média" só para querer vender mais discos. O CPM 22 sempre está ouvindo os CDs do Tim pela estrada, durante nossas turnês. Tim Maia é o artista nacional que eu mais gosto.  

Valesca curtia o som de Tim com a família

Valesca curtia o som de Tim com a família

Edu Garcia/R7

Valesca Popozuda

— Tim Maia é aquele cantor cujas músicas serão lembradas para sempre. Cresci com minha mãe ouvindo os discos dele na época e eu me recordo muito de dançar na sala de casa seus sucessos. A música do Tim que mais me marca até hoje é Azul da Cor do Mar, pois, além de ser linda, é muito tocante. Tim Maia será sempre homenageado como um gênio.

Lino Krizz se emociona quando fala de Tim Maia

Lino Krizz se emociona quando fala de Tim Maia

Reprodução/Facebook

Lino Krizz

— Realmente é muito difícil e estranho não escrever sem ser redundante ao que muito foi-se dito, gravado e escrito sobre o que esse mano muito "loko" ainda representa. Não só por sua forte personalidade, mas principalmente pela musicalidade singular. Mas... sou Réu Confesso em dizer que esta Estrela do Meu Show chapa meus pensamentos nas Nuvens, me fazendo um pedido simples assim: “Leva... o meu som contigo leva..." e atinja o Bom Senso. Vale acreditar no Caminho do Bem, pois Vale Tudo e Dance Enquanto é Tempo. Estas são as canções que eu quero tocar numa Primavera de Sossego e Paz, porque "não quero dinheiro, só quero amar..."