Blog da DB Esqueça o namoro: agora é a vez dos cont(r)atinhos 

Esqueça o namoro: agora é a vez dos cont(r)atinhos 

Pesquisa aponta que os relacionamentos tradicionais já eram e que as relações beta passaram a definir os desejos afetivos

relações beta

Relações Beta: do match ao date, até virar cont(r)atinho

Relações Beta: do match ao date, até virar cont(r)atinho

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Sabe aquela conversinha de encontrar a metade da laranja, ou de que os opostos de atraem, e o maior medo era ficar pra titia? Esqueça.

Nada será como antes nas relações afetivas depois do advento dos aplicativos de paquera e das redes sociais.

É o que garante o novo estudo realizado pela Consumoteca Lab, segundo o qual já estamos todos vivendo sob a égide das Relações Beta. 

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Ao olhar para as relaçõs afetivas, os pesquisadores conseguiram analisar de que forma as novas plataformas estão gerando novas formas de marcar posição no mundo e regular a autoestima.

Acreditem: os contatinhos, crushes e @rrobas são capazes de explicar e traduzir o mundo atual. 

De acordo com a pesquisa, as Relações Beta criam contratos invisiveis. "A gente aperta o botão do li e aceito antes mesmo de as regras serem escritas". E isso é feito por causa da principal engrenagem que move este mundo: o desejo de ser desejado. E de fazer parte do todo.

"Relações beta são relações experimentais, que brotam da nossa necessidade de se sentir alguém no mundo, de ser impactante, de pertencer a algo. O desejo de ser desejado leva a uma enorme necessidade de controle sobre o self nas redes sociais."

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Ser desejado e querer pertencer não é nenhuma novidade. O que muda é a forma como estamos fazendo isso. No mundo virtual, cria-se uma persona para cada situação. Um perfil no Linkedin não será igual ao do Instagram. É preciso gerenciar a imagem em diferentes plataformas. Levando isso para o contexto afetivo, surgem os cont(r)atinhos.

"O cont(r)atinho é uma das relações beta do mundo atual. São relacionamentos que ficam entre conhecer alguém e efetivamente namorar, lugar nebuloso onde antes haviam os "ficantes", qualquer coisa sem importância. Os contratinhos, por sua vez, tomam tempo, energia, trazem alegrias e tristezas e, por serem relações que normalmente não se nomeiam, não há um fim ou um início estabelecidos. E surgem das seguintes tensões: vontade de experimentar tudo em um mundo de muita oferta, a cobrança por selfies desejáveis e uma nova visão sobre o que seria intimidade". 

Real e virtual já se confundem no dia o dia

Real e virtual já se confundem no dia o dia

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Para as relações beta, caprichar na foto do perfil ou nas postagens do Instagram é fundamental. Assistir Netflix juntinho é o auge da intimidade.

Na contrução do self, em que as imagens são protagonistas, o mais importante é a estética proposta pelo lifestyle de cada perfil. Mostrar o rosto é fundamental, mas fotos de viagens, de hobbies, em situações cômicas, foto sensual, animais, no espelho, em fetas, praticando esportes, que indique o gosto musical lideram as que mais chamam a atenção. 

Diz a pesquisa que "as relações beta são sustentadas por interações multiplaformas. O jogo está na conversa, no meme, no gif enviado. Antes do inbox, é preciso se interessar pela imagem do outro, pelos gostos e afinidades. A busca é por pessoas que construam uma fantasia editada".  É fato: o mach evolui para a conversa no app, daí para fuçar nas outras redes sociais, pula para o whatsapp até chegar no date. É bom ressaltar que 1 a cada 4 pessoas desiste na primeira conversa se ela não for boa. 

Do match ao date, uma sequência de buscas nas demais redes sociais

Do match ao date, uma sequência de buscas nas demais redes sociais

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Um dos pontos mais frágeis das relações beta é o medo do papel de trouxa.

"Como não existem acordos estabelecidos, ninguém sabe qual a sua responsabilidade afetiva emrelação ao outro. Isso é um prato cheio para desalinhamentos entre expectativas e frustrações".

Ao menor sinal de desinteresse, retribua. Suma! Essa é a mecânica nas Relações Beta. 

Gostos e afinidades parecidas são determinantes para a evolução de um Relação Beta

Gostos e afinidades parecidas são determinantes para a evolução de um Relação Beta

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Mas uma Relação Beta tem futuro? De acordo com a pesquisa, uma Relação Beta pode, sim, evoluir de um cont(r)atrinho para um contrato com deveres e obrigações.

Vale ressaltar que gostos e afinidades parecidos são fundamentais para que isso ocorra. Nada de opostos se atraem.

Quando perguntados sobre os atributos que esperam de um parceiro, 55% disseram companheirismo. Até a fidelidade perdeu, e ficou em segundo lugar, com 54%. A paixão, quem diria, angariou só 7% da preferências. "Entra em cena um jogo de trocas e entregas. Não à toa que companheirismo e fidelidade — características que faltam nas relações beta — se tornam os principais valores, ficando à frente da paixão e da compatibilidade sexual". 

A pesquisa quantitativa ouviu mais de mil pessoas de todo o Brasil e garante: companheirismo é o que vale

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