Não, Branka, homem que bate em mulher não é doente 

Branka disse na TV que também apanhava de Naldo, acusado de agredir a atual mulher
Branka disse na TV que também apanhava de Naldo, acusado de agredir a atual mulher

''Sim (apanhava). Meu filho presenciou. Eu nunca denunciei porque pensava no meu filho, ele era muito pequeno. O Naldo nunca me deixou marcada'', afirmou. ''Ele é doente e torna quem está com ele doente. Acredito que com ela (Moranguinho) o grau foi mais elevado'', disse em rede nacional. O que chama a atenção é essa visão de que o cara que agride a companheira é doente.

Não dá para entrar no mérito dos motivos que levam essas mulheres, tanto Branka quanto Ellen, a não denunciarem ou demorarem muitos anos para relatar as agressões. Branka, inclusive, disse que chegou a dar queixa, mas desistiu. A maioria das vítimas de violência doméstica tem medo de denunciar, seja pelo receio de despertar ainda mais a ira do companheiro, por falta de apoio e suporte nas delegacias, dificuldade de se conseguir cumprir as medidas protetivas, dependência financeira, entre tantas outras justificativas.

Mas é preciso enxergar que não há doença nesse tipo de comportamento masculino. Dizer que um cara que espanca uma mulher é doente não deixa de ser uma forma de minimizar suas ações. Naldo mesmo veio à público choramingar e dizer que precisa se tratar. É óbvio que não se trata de algo que um ser humano decente faria. Só acho irritante essa história de tentar atenuar as agressões com esse discursinho de coitado.

Existem correntes acadêmicas que defendem o tratamento para agressores de mulheres. A reportagem de Fábio Mazzitelli, publicada aqui no R7, na Coluna do Fraga, trouxe a posição da  professora doutora do curso de Serviço Social da PUC-SP Laísa Campos Toledo, para quem homens como Naldo não devem ser punidos e sim submetidos a tratamento. Segundo ela, não adianta punir o agressor. O ideal seria fazer um trabalho socioeducativo com os homens, como previsto na Lei Maria da Penha.

Pode até ser que funcione, mas o que a realidade nos mostra é que homem que bate em mulher sabe muito bem o que está fazendo. A atitude ser repugnante não faz do agressor um maluco, por mais que pareça, para muitos de nós, uma loucura ver um marido ou um namorado agir assim. O perigo em dizer que o cidadão é "doente" é exatamente esse: relevar a pancadaria, sob qualquer pretexto.

Não, Naldo não é doente. Nem ele, nem a grande maioria dos homens que espanca suas companheiras. São, sim, filhos de um machismo incontrolável, que dá a eles a equivocada certeza de que podem fazer isso, que têm esse direito e seguirão impunes. Chega. Lugar de agressor de mulher é na cadeia. E não fazendo shows por aí.