Helder Maldonado Julian Casablancas chega aos 40 sem cumprir a promessa de salvar o rock

Julian Casablancas chega aos 40 sem cumprir a promessa de salvar o rock

Vocalista do Strokes da banda Voidz completa quatro décadas de vida sem ter conseguido cumprir as expectativas que se tinha sobre ele

Apontado como "salvador do rock", Julian Casablancas chega aos 40 anos

Julian Casablancas: músico chega aos 40 anos em baixa

Julian Casablancas: músico chega aos 40 anos em baixa

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No início dos anos 2000, os Strokes foram apontados como a banda que iria salvar o já desgastado e antiquado rock'n roll por meio de composições garageiras com ecos dos anos 70 que preenchiam o já clássico álbum de estreia Is This It (2001).

Quase 20 anos depois, é possível dizer que isso não só não se concretizou, como o status da banda diminuiu bastante após uma sucessão de shows desastrosos e discos fracos e ignorados que foram lançados após Room On Fire (2003).

Hoje, os Strokes ocupam um verbete pequeno na história do gênero e o hype daquele período já provou ser exagerado em todos os sentidos. Mas sabe como é: fazer barulho demais para música de menos é a regra e não a exceção.

Hoje, já é possível dizer que Strokes não passou de mais uma banda com um ótimo disco de estreia, mas que não tinha estrutura e capacidade para repetir o sucesso inicial em outros projetos. Não dá para saber se eles usaram todos os recursos que tinham nos dois primeiros álbuns, eram uma farsa ou cansaram mesmo.

Apontado como salvação do rock, Strokes não cumpriu a aposta

Apontado como salvação do rock, Strokes não cumpriu a aposta

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A questão é que esse problema pode ser colocado bastante na conta de Julian Casablancas, vocalista da banda que completa 40 anos nesta quinta-feira (23).

O nada carismático e pouco animado frontman da banda é tudo o que não se espera de um músico apontado como salvador de um estilo. Nos shows, a presença de palco era ofuscada pela voz quase sempre comprometida e o estado de embriaguez contínuo que ele nunca tentou esconder em cima do palco. 

Quando a banda começou a não ter mais o mesmo respaldo da crítica indie e ele precisou mostrar o seu talento em projetos solos, Julian provou que o raio na vida dele só caiu uma vez no mesmo lugar.

Se discos como Angles e Comedown Machine já não eram muito elogiados pelos antigos fãs da banda, quando Julian lançou o projeto The Voidz ficou claro que dali não ia sair mais nada digno das apostas que eram feitas sobre ele no início da década.

Arctic Monkeys: banda teve trajetória mais consistente que Strokes

Arctic Monkeys: banda teve trajetória mais consistente que Strokes

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Com a proposta de ser um trabalho diferente e subversivo, o projeto só soou como algo feito sem inspiração e barulhentamente vazio e sem propósito de existir. Nem mesmo os fãs que ainda acreditavam na recuperação do talento de Julian apoiaram muito o projeto. Oito meses depois, o clipe de QYURRYUS soma apenas 546.987. Qualquer clipe de artista de funk atinge isso em uma hora.

Claro que música não se mede só com números, mas um artista que já foi apontado como salvador do rock gerar só esse discreto interesse dos fãs mostra que Julian já não convence mais ninguém.

Para ter uma comparação mais justa, basta analisar os números do Arctic Monkeys, também apontada como banda que iria ajudar a manter o estilo vivo e surgiu apenas um ano depois do Strokes (embora tenha estreado em discos somente em 2006).

O clipe de Four Out Of Five, lançado em maio, tem 27 milhões de views. Ou seja: se alguém chegou perto de salvar alguma coisa ou manter o rock nas paradas, foram eles. Ou mesmo o Foo Fighters, Queens Of The Stone Age e Linkin Park. Todos mais bem sucedidos em ter uma trajetória consistente e que superasse um álbum clássico, hypado e festejado que, com distanciamento histórico, já pode ser considerado mais um caso clássico de histeria coletiva da imprensa musical.

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