Clipe de Lucas Lucco e Pabllo Vittar é ruim, mas é aula para roqueiros

Lucas Lucco e Pabllo Vittar fazem pose em clipe

Lucas Lucco e Pabllo Vittar fazem pose em clipe

Reprodução

Não é nem um pouco raro ver por aí – redes sociais, revistas, sites — roqueiros brasileiros reclamando da vida porque não têm mais espaço nas rádios e TVs. Em vez disso, quem aparece são os sertanejos, Anitta, Pabllo Vittar, entre outros.

Esses dias mesmo, Fernando Deluqui, guitarrista do RPM, detonou a revista Rolling Stone por ter colocado Vittar em sua capa. Falou um monte num post no Instagram, praticamente chamando a publicação de lixo por ter dado tamanho destaque para a artista. Digão, vocalista do Raimundos, também desatou a falar mal da Pabllo há pouco tempo.

E com o lançamento de “Paraíso”, um dueto de Lucas Lucco e Pabllo, vemos o que está errado com os roqueiros do país. Enquanto essa turma fica aí choramingando que não tem espaço e que as canções que eles fazem são melhores, o pessoal do funk e sertanejo se juntam para fazer sucesso. Não que “Paraíso” seja uma maravilha. Não é. Parece apenas um veículo para Lucas e Pabllo ficarem mostrando seus corpos malhados em câmera lenta, tudo embalado por uma musiquinha mequetrefe. Mas funciona e está repercutindo pela mídia em geral.

Uma parceria como essa de Lucco e Vittar não é novidade. Já há várias por aí parecidas com essa rolando. Anitta, Claudia Leitte, Maríla Mendonça, Luan Santana e vários outros já todos cantaram juntos, juntando forças no funk com o sertanejo e também do funk com o funk e sertanejo com sertanejo. E aí você olha para os roqueiros brasileiros e vê todos ali, quietinhos em seus cantos, fazendo seus showzinhos para 30 pessoas em bares, restaurantes e lugares pequenos em geral. A turma do rock, que já teve muito sucesso nos anos 80 e parte dos 90, não consegue nem se juntar entre si para bolar alguma coisa juntos, algo que poderia chamar a atenção da mídia, das rádios e TVs.

O pior de tudo é que o pessoal do rock brasileiro acha mesmo que faz um tipo de música superior ao dos funkeiros e sertanejos. Acreditam piamente que têm fazem canções mais importantes e que deveriam ser ouvidas em vez do “lixo” que é propagado hoje em dia nas rádios e TVs.

Esse sectarismo aí é o que afasta cada vez mais o mundo do rock e deixa os artistas da área totalmente de escanteio, como vem acontecendo já. E aí, não adianta ficar fazendo mimimi nas redes sociais.