Ziriguidum Por que Jorge Freitas na Mancha Verde incomoda tanto o Carnaval?

Por que Jorge Freitas na Mancha Verde incomoda tanto o Carnaval?

Espanto geral em torno do acordo feito entre escola de samba e carnavalesco revela que ainda existe preconceito em relação a alguns pavilhões

Jorge Freitas (ao centro) com a diretoria da Mancha

Jorge Freitas (ao centro) com a diretoria da Mancha

Divulgação

A notícia de que o carnavalesco Jorge Freitas havia se mudado para a Mancha Verde caiu como uma bomba no Carnaval paulistano nesta semana. O assunto aparece em quase todas as rodas de sambistas, grupos de redes sociais e afins, sempre em tom incrédulo.

Muitos questionam “Como assim?”. Mas a minha pergunta é “Por que não?”.

É engraçado observar que quando a Mancha Verde não mantinha resultados tão positivos, ou melhor, “ameaçadores”, a escola passava batida por muita gente. Mas aí vem um terceiro lugar com a mesma pontuação da campeã e, na sequência, um dos carnavalescos mais reconhecidos do Carnaval...

O alerta bate em geral.

Oras... a Mancha pode ter altos e baixos em sua trajetória, um tropeço aqui, outro ali, mas sempre foi uma escola organizada e esforçada. Basta conversar com qualquer componente de lá para se ouvir uma série de elogios ao trabalho desenvolvido.

E por qual motivo ela não seria agremiação para um Jorge Freitas? Diga-se de passagem, com um acerto de patrocínio fechado, talvez seja uma das situações financeiras mais confortáveis do Carnaval paulistano no momento. Pelo menos é o que se especula. Então, partindo do pressuposto que o falatório é real, por que não? E mais... mesmo que sejam só boatos. Isso não descredenciaria jamais a agremiação palmeirense para receber o artista.

É mais uma vez o estigma de escola pequena e escola grande prevalecendo. Por sorte, ele acontece só na boca de quem fala. Das portas dos barracões para dentro, é muita gente trabalhando para se superar.

O sambista precisa ter clareza sobre o quão competitivo é o Carnaval atualmente. A idade do pavilhão não pesa mais do que o trabalho realizado entre um ano e outro. Na década de 1970, campeã era sinônimo de Camisa, Mocidade, Nenê ou Vai-Vai. Mas os tempos mudaram. É hora de rever pré-julgamentos e avaliações viciadas. Cada vez mais vai ter gente chegando para incomodar.

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